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Fracasso

terça-feira, outubro 27, 2009

O gol: Victor não segura o chute de D'Alessandro

Em uma partida sofrível, fadada à negação de si mesmo em função do outro (que pensa exatamente da mesma forma), ainda assim poderia haver um outro resultado no Gre-nal 378. Aquele que, na minha opinião, resumiria da melhor forma a presença de espírito de todos aqueles que se relacionavam ao jogo, dos presidentes aos técnicos: 0 x 0. Já que não houve jogo, o que estaria fazendo aquele 1 no lado esquerdo do placar final? Leia mais…

Your name, sir?

sexta-feira, outubro 16, 2009

Oh Deus, como é recompensador ver Hugh Laurie falando seu natural british accent… O vídeo é de um sketch da série A Bit of Fry and Laurie, da BBC2 e, por vezes, BBC1, no já distante final dos anos 80 e início dos 90.

Interessante…

terça-feira, outubro 6, 2009

…notar que minha leitura em inglês de The Adventures of Sherlock Holmes tem sido muito mais rápida e fluente que a da história das estepes euro-asiáticas, de Philippe Conrad, em português. Ambas muito mais acessíveis que o ótimo e densíssimo — mas por vezes quase intransponível — I Benandanti (no original italiano), de Carlo Ginzburg. Iniciei esse último motivadíssimo pela leitura de O Queijo e os Vermes (que recomendo entusiasticamente), mas o detetive de Sir Conan Doyle e a velocíssima cavalaria mongol deixaram os feiticeiros do historiador italiano para trás. Um atraso misterioso de mais ou menos umas 100 páginas e alguns bons meses de distância…

Inimigo

terça-feira, outubro 6, 2009

Tenho andado um pouco fora de órbita, os blogs se ressentem disso, e principalmente eu mesmo. A fase é um tanto obscura, indefinida e preguiçosa. Estou aqui já há um ano (em duas semanas o aniversário exato), degustando uma tremenda enrolação burocrática, sem trabalho e sem papéis, tudo restrito ao mínimo, economicamente falando. Não quero e não gosto de lamentar em balbúcios públicos, mas é exatamente isso que estou fazendo, percebo. Leia mais…

Vingador

sexta-feira, setembro 25, 2009

“Sempre sonhei em ser um jornalista, até escrevi em uma redação na escola média: o imaginava como um ‘vingador’ capaz de consertar erros e injustiças […] era convicto de que aquele ofício me levaria a descobrir o mundo”

“Ho sempre sognato di fare il giornalista, lo scrissi anche in un tema alle medie: lo immaginavo come un ‘vendicatore’ capace di riparare torti e ingiustizie […] ero convinto che quel mestiere mi avrebbe portato a scoprire il mondo”

Enzo Biagi, jornalista italiano (1920-2007)

Memórias gloriosas

segunda-feira, agosto 31, 2009

A notícia tem sido tratada com muito mais relevo e densidade do que o normal, uma briga dos irmãos Gallagher. Esperei ao menos um dia inteiro para procurar mais informações, pensar sobre o assunto e dizer algo na qualidade de fã “especial” do Oasis. Faço meu raciocínio como jornalista, mas também como alguém para o qual essa banda representou o que muitas bandas de rock representam: uma base para formação da personalidade, um padrão de comparação, um “óculos” quando dos tempos difíceis que são a primeira juventude. Não que eu me deixasse levar completamente pelos desatinos, mas um grande grupo é aquele que consegue ir além da música. Aquele cuja notícia são (também) as pessoas que o compõe. Me sinto, sempre me senti, como se fosse amigo, desses de ir a um pub juntos e de freqüentar a casa mesmo depois de casado, de Noel Gallagher. Mais que uma banda que tocava música que a mim dizia muito, o que mais me prendeu ao Oasis foi essa provável amizade real — distante e anônima — com um cara legal com o qual me identificava. Leia mais…

(d-_-b) Resenha musical — n° 2

sábado, agosto 29, 2009

albuns_2_katebush_thekickinsideKATE BUSH, THE KICK INSIDE (1978) | Talvez os modernosos recusarão a idéia, mas sem Kate Bush não existiria essa fatia do mundo musical gloriosamente feita pelas mulheres. Me refiro à forma inteligente toda feminina de fazer música, muito além do tipo “Happy Birthday, Mr. President”. Kate Bush é uma diva, no sentido mais nobre do termo, feita de qualidade intelectual e artística ao invés de outros atributos quaisquer. Foi descoberta por David Gilmour, o que quer dizer muito. “The Kick Inside” é seu exórdio, ainda nos anos 70 e, assim como Pat Metheny, um certo preconceito “Antena 1” lady Bush sofre ainda hoje: Wuthering Heights, um capolavoro estético e performático, é um dos símbolos das emitentes “sem graça” (cujo outro ícone portoalegrense é a atual rádio Continental). Evidentemente, como qualquer preconceito, é uma injustiça. “The Kick Inside” ainda está aquém do que a criatividade de Kate poderia fazer (e que demonstraria na primeira metade da década de 80), mas já exibe veementemente a qualidade de quem viria a se tornar uma das artistas mais reconhecidas da música — tanto que o álbum não passou despercebido em sua época, pelo contrário. É um disco harmonioso, equilibrado, com um grande trabalho de Kate (então com apenas 19 anos!) ao piano e, logicamente, na sua voz fantástica (apesar de por vezes um pouco infantil e caricata). Melodias belíssimas e elegantes em praticamente todas as 13 faixas, como em The Saxophone Song, Fell It, a já citada Wuthering Heights e a faixa-título. Kate dá graça e leveza às suas composições (essa a minha idéia de diva). Absolutamente atual — como se a boa música tivesse prazo de validade…


albuns_2_patmetheny_thewayupPAT METHENY GROUP, THE WAY UP (2005) | Talvez o melhor trabalho de Pat Metheny, um incansável ícone do jazz rock/fusion e dono de uma biografia já quilométrica. Escolher aleatoriamente um álbum de Pat Metheny da sua discografia de cerca 40 álbuns pode resultar numa má impressão, porque por vezes a música do norte-americano soa piegas. “The Way Up”, no entanto, é escolha certa: quatro faixas apenas, mas tempo total de quase uma hora e dez minutos (conforme manda o figurino), com música elegante, refinada, pensada sem a preocupação de agradar — Pat Metheny é daqueles grupos cuja música é símbolo do “estilo rádio Antena 1”, por vezes fundo de jantares beneficientes e coisas do tipo. Mas “The Way Up” vai agradar até mesmo àqueles com espírito mais, digamos, jovem. Basta ter bom gosto.


albuns_2_jeffbuckley_graceJEFF BUCKLEY, GRACE (1994) | Existe vida inteligente no pop. Ainda que Jeff Buckley dê uma alma rock a seu único álbum, “Grace” é essencialmente uma coleção de belas canções para rádios FM e vinhetas — o que não é uma crítica. Jeff é filho de Tim, cantor e compositor folk de fama nos anos 70, e quis o destino que o filho imitasse o pai: ambos morreram cedo, mas há quem fale em suicídio — hipótese que, a julgar pelas letras de Jeff, não soa mera indiscrição. Tim pereceu de overdose em 1975, e Jeff afogado no rio Wolf, no Tennesse, apenas três anos após o lançamento de “Grace”. Uma pena, visto que o álbum entusiasmou muita gente tão logo chegou às lojas e às paradas. Um bom disco, apesar de desigual. Sobretudo as primeiras três faixas, (Mojo Pin, Grace e Last Goodbye) são canções ímpares, resultado de um talento e uma sensibilidade interessantes, que, no mínimo, mereciam mais tempo. Na seqüência o álbum arrefece um pouco, caminha definitivamente para o pop, mas mantém a qualidade — algo raro. Jeff emprestou uma personalidade especial à conhecidíssima música de Leonard Cohen, Hallelujah, e transformou-a em hit imediato (é bastante apreciada em seriados dramáticos de tv, entre eles House, onde veio muito bem a calhar, por sinal). Perto do fim, retorna algum ímpeto mais rock com Eternal Life. A produção, da qual se encarregou junto com Andy Wallace, é muito acurada e tudo levava a crer que um grande ícone surgia. De certa forma, Jeff Buckley tornou-se de fato um ídolo da maneira mais elementar que o rock pode conceber: morrendo jovem.