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Deus não existe

domingo, março 14, 2010

Ou, se existe, não tem nada o que ver conosco. Pensar e discutir religião sempre é um problema por dois motivos básicos: a probabilidade de gerar conflitos e ressentimentos é imensa e, fundamentalmente, não adianta nada — uma bela nulidade qualquer papo objetivo sobre religião. (Talvez se pudesse definir o valor de uma determinada coisa pela sua capacidade de gerar conversa produtiva. O futebol, por exemplo, seria assunto de Estado no Brasil e teria um belo ministério indicado com letras douradas na esplanada brasiliense. O contrário com a religião, apesar de muita conversa, e sangue, rolar por sua conta.)

Tenho tentado pensar seriamente a religião. Já cheguei a uma conclusão, e apenas por ela ter surgido num contexto tão dedicado é que me debruço sobre esse assunto. Nasci e me criei numa família fanaticamente católica e posso analisar a coisa de dentro. Certamente não posso falar pelas religiões, no plural, mas acho (muitos estudiosos já mostraram essa idéia) que o “background” de qualquer crente — seja ele cristão, muçulmano, budista, venerador de pirâmides e pedras coloridas ou o que quer que seja — é rigorosamente o mesmo. Na verdade, minha noção cada vez mais severa sobre religião se alterou sensivelmente quanto confrontada com a idéia do ateísmo. Foi só então que percebi que nenhum dos dois faz sentido. Porque, mesmo sendo o ateísmo o oposto da crença religiosa em divindades, acaba sendo também uma crença — a de que nenhum deus existe — e, aí está meu possível insight, também está (pode estar) equivocado na medida em que ninguém jamais conseguiu nem conseguirá provar a existência ou não de entidades sobrenaturais pelas quais se flagelar, dedicar festas, implorar perdão, fazer peregrinação, dançar em frente a um muro ou atar tiras de cilício na perna.

Não gostaria de passar por superficial ou ingênuo, mas esse é um assunto difícil. Além do mais, apenas uma dezena de pessoas (se tanto) lerá estas linhas — por isso não me estendo, nem teço comentários complexos. Minha intenção é apenas a de complicar tudo dizendo que nada em matéria de religião faz sentido (crer, e inclusive não crer, que Deus existe). Penso a religião como um assunto que toma desnecessariamente nosso tempo e nossas forças, nada mais. Amém.

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One Comment leave one →
  1. Daniel permalink
    quarta-feira, março 31, 2010 13:25

    A religião, se vivida com a plenitude de seus valores (não dos valores que as pessoas acham que fazem parte dela), é boa. Criticar o Cristianismo por causa de um padre pedófilo é como deixar de ser gremista por causa do Obino. Não é uma questão de classe, é de valores. Se alguém desrespeita o valor, ou se esconde atrás dele, o problema é do alguém, não do valor.

    Na moral: tem muita birrinha boba com religião. Muitas pessoas que não tem profundidade intelectual mais alta para fazer uma crítica da demogagia da instituição em si se esconde atrás de simplismos. E tem gente, na boa, que na real é ateu porque tá TORCENDO para que, de fato, o sistema PUNIÇÃO-SUPLÍCIO das religiões monoteístas não exista, porque, se existir, vão passar muito calor.

    Vai numa sessão de espiritismo e observa. Vai em duas, três, quatro, sei lá, mas vai. Depois me diz se a tua ideia de que não há algo entre nós e o céu, ou alguma coisa desse tipo, se pelo menos não muda, balança.

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