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Memórias gloriosas

segunda-feira, agosto 31, 2009

A notícia tem sido tratada com muito mais relevo e densidade do que o normal, uma briga dos irmãos Gallagher. Esperei ao menos um dia inteiro para procurar mais informações, pensar sobre o assunto e dizer algo na qualidade de fã “especial” do Oasis. Faço meu raciocínio como jornalista, mas também como alguém para o qual essa banda representou o que muitas bandas de rock representam: uma base para formação da personalidade, um padrão de comparação, um “óculos” quando dos tempos difíceis que são a primeira juventude. Não que eu me deixasse levar completamente pelos desatinos, mas um grande grupo é aquele que consegue ir além da música. Aquele cuja notícia são (também) as pessoas que o compõe. Me sinto, sempre me senti, como se fosse amigo, desses de ir a um pub juntos e de freqüentar a casa mesmo depois de casado, de Noel Gallagher. Mais que uma banda que tocava música que a mim dizia muito, o que mais me prendeu ao Oasis foi essa provável amizade real — distante e anônima — com um cara legal com o qual me identificava.Antes de mais nada, devo dizer que sempre é útil uma dose de cautela com essas histórias de brigas entre ele e Liam. Mas, considerando tudo, definitivamente há algo de estranho e pesado. Não cancelariam os três últimos shows de uma turnê como parte de um novo golpe de marketing. Pode ser que eu não conheça muito bem meu amigo distante, mas não acho que faria isso alegando uma briga (com testemunhas) e elencando argumentos fortes para anunciar o fim de “18 anos incríveis”. O mais irônico — e uso essa palavra para não me entristecer ainda mais — é que eu poderia ter participado de uma espécie de rito de passagem, já que eu previa o fim do grupo há ao menos dois anos. Primeiro, o show portoalegrense que, além de histórica e musicalmente lendário (segundo minhas fontes), acontece justamente alguns meses após eu sair definitivamente da cidade que me viu crescer. Segundo, o que seria o derradeiro show, precisamente ontem, em Milão, onde viverei em breve e que me está acessível, logicamente não aconteceu.

Penso, sim, o Oasis como uma das 10 maiores bandas de rock da história. A despeito da minha afeição, o que está acontecendo (caso se confirme) é o fim de uma página da música, as pessoas queiram ou não. Foi daqueles grupos que serviu de fundo musical a uma geração e, ao contrário do que se possa pensar, não são as gerações que definem sua trilha sonora. É a música que traduz o sentimento, a emoção, a vida das pessoas. “Levo comigo memórias gloriosas”, escreveu Noel — e escrevo eu.

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2 Comentários leave one →
  1. julianobruni permalink*
    quinta-feira, setembro 17, 2009 17:24

    Valeu Joãozinho. Bom saber que tu lê, meu velho. Saudade dos papos e da companhia.

    Aviso a ti e aos meus outros 19 leitores: tenho andado meio relapso com o blog somente porque estou em “processo de mudança” para Milão. Acho que a partir da semana que vem devo voltar à produção normal.

    Grande abraço a todos.

  2. joão dal mollin permalink
    segunda-feira, setembro 7, 2009 20:59

    Cara, o fato de ser lido apenas pelos amigos (o q duvido, aliás) não diminui a qualidade do material. Belos posts, belas resenhas (isso q eu não sou um grande ligado em música, como sabes)! Baita post também no outro blog, sobre o(s) café(s) italiano(s)…

    Baita abraço, baitas saudades de vcs!

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