Skip to content

(d-_-b) Resenha musical — n° 1

sexta-feira, agosto 28, 2009

albuns_1_radiohead_inrainbowsRADIOHEAD, IN RAINBOWS (2007) | Radiohead é um grupo que merece ser estudado. Não cientificamente, mas sociologicamente. É preciso perfilar seus álbuns, uns após o outro, e escutá-los com atenção. É um deleite musical, mas também é uma atualização. A banda de Thom Yorke faz o que poderia ser chamado de “a música de qualidade mais moderna da atualidade”. Isso pressupõe uma liberdade criativa interessante, raríssima no mainstream pós-anos 70. “In Rainbows” aparece quatro longos anos após “Hail to the Thief” e restabelece o crédito: seu predecessor havia sido um pequeno tropeço após o magnífico “Ok Computer”, o maravilhoso “Kid A” e o muito bom “Amnesiac”. Faixas mais “simples”, como Bodysnatchers, lembram o Radiohead dos primeiros tempos, enquanto o grosso do disco segue a (etérea) linha de raciocínio dos últimos álbuns, com diferenças de velocidade, produção acuratíssima e “decorações” malucas. No geral, um disco redondo, com grande conexão entre as músicas. All I Need, Reckoner, e Jigsaw Falling Into Space são grandes composições, as outras mantém a boa média, exceção feita apenas à primeira faixa. Videotape é uma espécie de música visiva e um digno encerramento.


albuns_1_lunasa_merrysistersLÚNASA, THE MERRY SISTERS OF FATE (2001) | Descobri Lúnasa numa febre pela música dita “celta” que vez por outra me assola. De fato, a banda irlandesa é talvez o maior expoente de um fenômeno bastante recente, que é a “planificação” da antiga música popular da Irlanda e da Escócia (refúgios da tradição céltica-gaélica), junto com grupos jovens como Capercaillie, Altan e os precursores (esses já velhinhos) The Chieftains. Por “planificação” entenda-se melodias adaptadas aos ouvidos modernos, logicamente sem vocais a não ser gritos esporádicos de acompanhamento que acrescentam à música exatamente a espontaneidade do tom popular do qual teve origem. “The Merry Sisters of Fate” é um belo álbum e, mesmo deliberadamente aproximado da música moderna em textura, mantém a alma legítima da cultura que representa porque mantém toda a idéia centrada em uilleann pipes e fiddles (quem não suporta gaita de fole deve evitar esse disco, bem como toda a música irlandesa). Das 11 faixas, Donough and Mike’s, Iníon Ní Scannláin, Killarney Boys of Pleasure e Return From Fingall merecem uma menção especial e não entediariam ninguém durante uma boa conversa regada a scotch ou Guinness. Ou em qualquer outra situação, diga-se.


albuns_1_iananderson_walkintolightIAN ANDERSON, WALK INTO LIGHT (1983) | Anderson é um deus, um gênio, um mago. Simplesmente é a alma do Jethro Tull, umas das bandas que me são mais caras, e que, a despeito da minha simpatia ou não, se inscreveu na história da música como capítulo de suma importância e originalidade. Mas Anderson, no retiro que foi este seu primeiro solo oficial (A, lançado em 1980 creditado ao Jethro, na verdade é o primeiro trabalho individual de Ian), erra quase completamente a mão e as idéias. “Walk Into Light” é uma tentativa de entrar na então modernidade de início dos anos 80 — o que significa algo ruim, muito ruim —, baseada em sintetizadores, teclados, computadores de oito bits e baterias eletrônicas. Não que não se possa fazer coisa boa daí, mas o fato é que, em 99% dos casos, não se fez. O álbum soa incrivelmente datado, com as tradicionais melodias simplórias e repetitivas da “querida” década perdida. Só não é pior porque é biologicamente impossível a alguém que tenha composto Thick As A Brick fazer 10 músicas completamente desprezíveis (a faixa-título e Looking for Eden oferecem alguma qualidade microscópica). Extraído do contexto, não chega a escandalizar. O drama é a constatação de que até mesmo Ian Anderson erra. E “Walk Into Light” é um erro monumental, tão sem graça quanto a capa. Mas para quem vê alguma graça na estética daquele período pode até ser que encontre algo positivo, nunca se sabe (cartas para a redação, no caso).

Anúncios
One Comment leave one →
  1. Veri permalink
    sexta-feira, agosto 28, 2009 16:51

    Adorei as resenhas. Mas tenho uma ressalva, nao achei ruim a capa do disco do Ian Anderson… Beijo

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: