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Calendários

terça-feira, agosto 11, 2009

Existe um profundo mal-entendido nessa história de unificação dos calendários brasileiro e europeu do futebol. A Veja, ansiosa como de costume, jogou para o presidente Lula a responsabilidade da iniciativa a partir de uma insatisfação com o desmanche do Corinthians e de uma conversa com Ricardo Teixeira. Diz a revista rancorosa que Lula teria se comprometido inclusive a convencer a Globo. Verdade ou não, a CBF iria anunciar em breve a alteração, que seria, basicamente, a de deslocar o início do campeonato brasileiro para agosto. Sei da má-fé da Veja há tempos, mas talvez seja fato real essa possível mudança, o que me leva a crer que mais alguém está de má-fé. Se diz que o motivo principal da iniciativa seria o de diminuir o fluxo de saída de jogadores para a Europa em meio ao campeonato. A Argentina tem calendário parecido ao europeu e ninguém por lá sabe de jogadores que tiveram a opção de esperar a temporada acabar para então se transferir ao Velho Continente. Além do fato de que se jogaria o campeonato brasileiro ao longo do verão, o que só pode ser uma piada de mau gosto — não precisa sequer projetar a volta do Paysandu, por exemplo, para concluir que uma partida de futebol em uma cidade onde a temperatura média estiva é de 37ºC é desumana.

A partir daí surgem inúmeros outros problemas. Estou longe, então a discussão para mim fica prejudicada. Não sei o que se fala, o que se pensa a respeito. Mas sempre pensei que, assim como as estações climáticas estabeleceram o calendário europeu e por mais que nosso inverno seja muitíssimo menos rigoroso (nosso verão compensa em sentido contrário), acho que deveríamos como motivação inicial manter o mínimo de seriedade ao discutir a possibilidade de jogos em tardes de sol escaldante — e não apenas no norte-nordeste do Brasil. Em segundo lugar, não resultaria positivamente na transferência de jogadores pelo simples fato de ser uma questão econômica e não temporal ou climática.

Sugestão

Acho que uma adequação possível e saudável seria não a de datas, mas a de forma. Objetivamente, cancelar a participação dos clubes mais importantes do Brasil nos campeonatos regionais e estender o Brasileiro de março a dezembro — com tempo útil de 10 meses, como os campeonatos europeus. Sei que é uma idéia polêmica (retiraria toda a maior atratividade dos pobres regionais, mas que continuariam a existir, acessíveis aos pequenos clubes), mas seria uma modernização em vista a um calendário mais racional. Com dois meses de férias (atualmente no Brasil as férias de jogadores não completam 30 dias) e os campeonatos nacionais e continentais distribuídos ao longo do ano, acredito que atingiríamos uma “civilidade” da qual ainda não dispomos na América do Sul.

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