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O “camaleão”

segunda-feira, junho 29, 2009

Taí um fenômeno que nunca entendi: David Bowie, o camaleão do rock. Tenho bem presente que essa é uma opinião que pode trazer abaixo a credibilidade que teria (mas que ninguém nunca me apontou) como crítico musical, digamos, amador. Acho que não tenho muito a perder, então me sinto livre para dizer que não vejo quase nada na música de mister Bowie. Não que não tenha qualidade, o que estranho é a reverência quase religiosa. Escuto agora Aladdin Sane, de 1973, e encontro um som interessante, mas dentro (para ser sincero, me pareceu abaixo) da média da época, a mais prolífica do rock e, por isso, uma das melhores da história da música. Ou seja, no contexto, como deve ser, mais um bom disco. Paro por aí.

Meu foco são os chamados clássicos, como Ziggy Stardust and the Spiders From Mars, já que está provado que, mesmo que a audiência seja qualificada e interessada, excelentes músicas sempre ficam soterradas pela fama dos bordões, que viram clássicos. Como acontece com os Beatles e a lembrança etena de I Want to Hold Your Hand e o “esquecimento” de algo como The Fool on the Hill e Cry Baby Cry ou ainda o Jethro Tull com pequenas pérolas preteridas à Aqualung. Life on Mars?, voltando a Bowie, por exemplo, é uma bela canção, mas chata, como a maioria de suas composições.

Os italianos têm uma bela figura de linguagem para descrever o que estou tentando dizer. Questionam-se se a música falou à pancia, ao cuore ou alla testa. Estômago, coração e cérebro. Uma belíssima e eficaz sistematização. No caso, o que Bowie consegue harmonizar são músicas bem feitas, mas “arredondadas”, mistura de testa e pancia.

Não que Bowie produza canções pueris. Tento ter muito cuidado ao analisar figuras como ele não porque tenha receio de ferir sensibilidades, mas porque tento não ser injusto. É um digno autor de rock, imaginativo, mas não muito criativo. Faz muito bem o que está ao alcance de todos porque acessível. Acho que a percepção musical das pessoas fica alterada — e é normal que seja assim — com os contornos visuais e até comportamentais de David Bowie. Afinal estamos falando de um tempo de fronteira.

Em Aladdin Sane, que é minha referência agora, muitas músicas iniciam com um “riff” de guitarras parecidíssimos ao de Ziggy, exatamente o mesmo ou uma variação microscópica — e isso diz alguma coisa. Ainda não me dediquei à toda a discografia do camaleão porque preciso de alguns meses até voltar a me intrigar com Bowie e sua fama, e também porque um disco definitivamente não me convida a outro. Apenas finalizo todos os discos volto a dedicar algumas linhas à histeria coletiva, ou faço uma solene retração. Ou não perco mais meu tempo com isso, o que é provável.

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