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A distância

sexta-feira, junho 26, 2009

Estou longe também de uma de minhas maiores paixões, a materialização de meu amor pelo futebol que é o Grêmio. E assim, na distância que separa o sul do Brasil do norte da Itália, também uma análise racional do time fica comprometida, além do sentimento. Não só os muitos quilômetros atrapalham, mas também a diferença de horário e a restrição da internet. Leio tudo o que posso, escuto o Sala sempre, torcendo para que deixem um pouco de lado as diatribes cotidianas e me expliquem o que está acontendo. Não consigo assistir aos jogos, está claro, mas vasculho a rede em busca de compactos das partidas que sejam o menos resumitivo possível.

Não tenho falado do Grêmio pelo óbvio motivo de que só poderia comentar minha confusão e apreensão, além da esperança de torcedor ou o que penso da escalação baseado no que vi até outubro de 2008, quando cheguei aqui. Mas, na medida em que o time avançava na Libertadores, passei a me dedicar mais e acho que posso arriscar uma opinião. Muitos disseram que o maior problema do Grêmio na temporada tem sido o ataque ineficiente. Maxi Lopez, desde que passou a jogar, foi o jogador que se esperava para o Grêmio: não apenas gols, mas identificação e, portanto, raça. A questão então passa para o seu companheiro, se entendo bem. Usando do que os italianos chamam de dietrologia, ou falar sobre o que não se vê, aposto muito mais em Herrera que em Jonas ou Alex Mineiro. Jonas parece que até começou bem o ano, e Alex Mineiro não me diz nada há tempos, mesmo no Palmeiras onde teve uma certa boa fase. Herrera me parece o jogador mais adapto pelo seu empenho, a despeito da técnica que, pensando bem, não sei se tem de menos em relação aos outros dois postulantes ao ataque. O argentino moreno é visceral, e é isso que se espera e se exige do Grêmio na maior competição do continente.

No entanto, não posso deixar de questionar a análise quase geral do confronto do Mineirão de que o maior problema foi, ou continuou sendo, o ataque. Bem verdade que conseguimos o gol qualificado marcado fora, mas o contexto exige uma atenção ao fato de que foi em cobrança de falta, já com o placar nos 3 x 0 contra — qualquer equipe, mesmo na tensão de uma semifinal de Libertadores, diminui o ritmo em momentos de vantagem como essa. Ou seja, se levar três gols em semifinal não chega ser o maior problema, imagino que o vaticínio seja de que o Grêmio já está desclassificado. Observando os gols no vídeo, o drama aumenta porque se percebe uma total falta de atenção. Não é exatamente o fato de sofrer os gols — mesmo três são possíveis quando se está nas fases derradeiras —, mas sim a forma como foram concedidos.

Inútil lembrar que acredito no Grêmio e que acho sim que temos condições de fazer uma final de Libertadores com esse grupo de jogadores. Sou daquela opinião contestada de que técnica é apenas um dos fatores do futebol. Organização tática e vontade complementam os requisitos básicos, e isso o Grêmio tem. Me intriga apenas as análises parecerem tão surreais e estranhas, tão longe de refletir um quadro lógico. A distância, além da frieza dos fatos mostrados nos compactos, pode ser a causa dessa estranheza. Ou pode ser o que Grêmio de 2009 seja realmente estranho.

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