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Paciência

quinta-feira, junho 25, 2009

O Brasil acabou jogando muito menos do que poderia, se se parte da atuação competente contra a Itália. A África do Sul do Joel Santana, por sua vez, talvez tenha realizado o máximo de sua qualidade futebolística. Algo mais é imaginável apenas num contexto de atmosfera mais tensa e elétrica, como imagino que será ano que vem em que a anfitriã terá o apoio de todo um país que deixará o rugby de lado por algumas semanas. Joel Santana, aliás, conseguiu um feito digno de nota: deu um lapso de lucidez para um grupo de jogadores que sempre que jogava junto repetia as contradições e os vícios da sua nação. Contradições e vícios também temos nós, que também somos um país complicado, mas desde sempre soubemos revertê-los para o campo de futebol da melhor forma possível. Ou quase isso.

A apresentação foi apática, diria até que a Seleção começou o jogo como se seus jogadores estivessem jogando já há alguns minutos. Pode ser o cansaço de seis partidas em pouco mais de duas semanas (todas oficiais), mas fez parecer basicamente duas coisas: distração e surpresa. Começando o jogo empurrada pela torcida, a África soube criar dificuldades que o Brasil não identificava muito bem. Quase a etapa inicial inteira teve cara de primeiros minutos, como se os brasileiros não soubessem bem o que estavam fazendo. Ramires concluíndo pela direita e Kaká escondido na esquerda é um dos pontos de equívoco. Robinho absolutamente estéril talvez seja o maior deles.

Foi outro daqueles jogos que alguns dirão ter mostrado algo que, de fato, não quer dizer nada. A complicação que uma equipe como a África do Sul impõe ao deus-Brasil está no script já há décadas. O ponto positivo é que, à parte o trabalho de campo, os jogadores brasileiros, inclusive Dunga, não pareciam constrangidos com o 0 x 0 — que, a rigor, sustentado até quase o último minuto é sim constrangedor. Usou de paciência, já que por vários motivos não lançou mão de outra ferramenta para vencer a partida.

Pode ser que aqui na Itália, sem o peculiar acompanhamento da peculiar mídia brasileira e com uma narração televisiva que jamais grita gol, nem na maior maravilha do esporte das multidões, minha análise esteja um pouco prejudicada — não pela narração, evidente, mas pela necessidade de conversão de valores, digamos. Mas eu penso que essa Seleção tenha alguns méritos indiscutíveis. A paciência é outro que alinho a partir de hoje.

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