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Memória

quarta-feira, maio 20, 2009

Aconteceu há quase um mês, mas eu havia esquecido de comentar. Foi uma pena que grande parte dos representantes europeus num encontro diplomático recente saíssem da sala ao ouvir o presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad falar o que acaba sendo uma verdade factual: que Israel utiliza o holocausto como pretexto para ações terroristas com a cumplicidade (por vezes até incentivo) dos governos ocidentais. Minha percepção sobre o assunto foi elevada às alturas ao chegar aqui. Não ouso tentar explicar esse fenômeno em toda a sua complexidade (histórica, antropológica, psicológica), mas os europeus parecem ter um “remorso” tão esmagador a ponto de “cegá-los”. Na Itália, como de resto em todo o continente, periodicamente celebrações e homenagens se repetem à exaustão “em memória do povo judeu”. Não preciso lembrar que não sou anti-semita, assim como não sou anti coisa alguma no que se refere à diversidade e ao respeito a ela. Mas é preciso ver essa fixação como um fato político-ideológico, explorado — e muito bem explorado — com intuitos muito distantes da simples memória.

Que o holocausto ocorreu é fato documentado. Historiograficamente, algumas versões são discutíveis, mas isso (o debate) é praxe no estudo da História. Não deveria magoar ninguém, e aí está o ponto: as pessoas, o “povo judeu” mas não apenas ele, se ofendem com uma checagem natural dos fatos históricos — não me refiro ao revisionismo, que é uma prática já encharcada de ideologia e que vai procurar apenas o que quer encontrar. Digo, por exemplo, que até hoje — mil e quinhentos anos depois —, o fim da Antigüidade e início da Idade Média é debatido, ou o “descobrimento” da América; não porque se pensa que se esqueceu algo, mas porque cientificamente se deve rever alguns pontos. O mesmo deveria acontecer com a página triste e terrível da Segunda Guerra Mundial para os judeus. Deveria, mas não é possível. E por que não é possível?

Bastante lógico. Porque o estado de Israel (não se é anti-semita ao criticar o estado israelense, importante esclarecer) aproveita-se de um contexto tal — assim como os Estados Unidos, por exemplo, utilizou a contraposição comunista durante grande parte do século passado — para “explicar” ou legitimar ações de teórica defesa. Aliás, é sempre a mesma história: defesa; os estados mais belicosos do planeta são sempre os que se dizem mais ameaçados e, por conseqüência óbvia, são sempre os que mais atacam. Israel, é bom que se diga, tem sido liderado por governos criminosos há algumas décadas. Noam Chomsky — judeu, mas crítico — elenca em seus livros as muitas ações ilegais e, sobretudo, a trama política que permite que continue a praticá-las quase desde a fundação de Israel como estado judeu. Evidentemente essa trama (nem um pouco paranóica; pelo contrário, documentada) logicamente tem raízes nos Estados Unidos (o maior beneficiário do belicismo israelense) e na Europa. E com isso a questão se fecha, ou quase, porque não fossem as nações ocidentais Israel não poderia se dar ao luxo de praticar terrorismo de Estado quando bem quisesse. Serve até para explicar por que Israel disputa competições de futebol sob o signo da UEFA (União Européia) — sempre me pareceu deslocado em relação ao mapa da Europa…

O que Ahmadinejad disse em tom bastante equilibrado numa sala com representantes do mundo todo é uma verdade. Não uma opinião. Claro, suas atitudes não lhe dão muito crédito, mas teve o mérito de dizer o que ninguém diz.

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One Comment leave one →
  1. Daniel permalink
    sábado, maio 23, 2009 13:49

    Disse tudo.

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