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Ao mestre, com carinho

sexta-feira, março 27, 2009

Faço questão de dizer que dispus, e disponho, de quatro colunas básicas que sustentam minha tentativa permanente de ser cada vez uma pessoa melhor. Meus pais, que mesmo sem uma preparação intelectual especial captaram certas necessidades para a formação de um ser humano minimamente responsável e que, assim, deram o passo mais importante na vida de qualquer pessoa e fizeram o que pais verdadeiros sempre devem fazer: preparar. Depois vieram os livros como o indispensável “colchão” onde tudo é acomodado. Então surgiu a Veri. Depois veio Ungaretti.

Wladymir Ungaretti é um mestre na máxima acepção do termo. Não se trata de ideologia. A questão não é APENAS o que, mas como. No dia em que almoçamos junto no Lubnann para nos despedirmos, agradeci a ele por ter “praticamente salvado a minha vida”. Repito: não se trata de ideologia, como muitos poderão pensar. Ungaretti me ensinou a pensar, sem limitações. Todos nós pensamos, uns mais que outros, mas nos acostumamos negativamente – ou ignoramos – o maledetto muro (como diz uma bela canção italiana) que muitas vezes nos isola da realidade. Esse muro pode ser a própria ideologia (qualquer uma), pode ser resultado de uma manipulação (cada vez mais onipresente e poderosa), pode ser um “simples” comprometimento com determinados raciocínios. De forma que nossa capacidade de encarar a realidade das coisas fica decisivamente prejudicada, ou impedida. Fui ajudado a me tornar livre pensando. Não fui “indoutrinado” (essa máquia insiste em rondar a “questão Ungaretti”), não recebi uma orientação do que pensar. Me foi sugerido, sugestionado, fui provocado a pensar. Fui – fomos todos aqueles que um dia estiveram em sala de aula ou na mesa de um bar com ele – bombardeado, massacrado por um peso que não era só intelectual. Era um comportamento, uma proposta, um estilo de vida. Me causou especial impressão o que Ungaretti disse, entre tantas outras coisas, certa vez: “Sou de uma geração em que se desejava ser intelectual. Um dia decidi, eu quero ser intelectual“. Evidentemente se pode analisar uma frase dessas sob diversos pontos de vista, alguns evocando o lado negativo do intelectualismo (como faz Chomsky), mas Ungaretti focava o simples ato de pensar criticamente, quase como uma necessidade física – e eu fui seduzido. Posso me enganar, dizer bobagens algumas vezes, mas, de forma humilde e franca, tudo o que me faz como ser humano é fruto de um pensar crítico – precisamos de crítica no mundo, a falta de crítica faz do mundo uma droga. Aprendi também que ter um lado não é demérito, pelo contrário. E, até hoje e imagino que até o fim de meus dias, eu tenho e terei um lado.

Não vou entrar no mérito específico da censura imposta a Ungaretti em seu blog e em sua revista eletrônica por conta de um processo judicial movido pelo showtógrafo de Zero Hora, Ronaldo Bernardi. Muitos outros blogs estão mobilizados, como está Cantofabule, e podem prestar esclarecimentos e uma determinada visão do problema. Digo apenas que o apelido de Fotonaldo é o ponto central da questão, o motivo da ação. Bernardi acusa Ungaretti de haver inventado o apelido depreciativo, o que não é verdade. Uma pena também que tenha ignorado toda a análise que Ungaretti faz não apenas de seu trabalho, mas de toda a mídia em geral. A acusação poderia ser menos ridícula, ao menos. Durante o decorrer do processo, Ungaretti fica impedido de abordar Bernardi, e optou por calar-se até o momento em que os trâmites judiciais sejam concluídos. Não preciso comentar o que penso a respeito, mas preciso lembrar que, criticamente, não acho que Ungaretti tenha cometido qualquer dano a Bernardi além do fato de expôr uma análise crítica sobre o trabalho do showtógrafo. Análise essa que Bernardi jamais encontraria em outro lugar.

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2 Comentários leave one →
  1. terça-feira, abril 14, 2009 11:38

    forza Ungaretti !

Trackbacks

  1. Blog Ponto de Vista » Blog Archive » OS BONDES DA MÍDIA

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