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Do mestre, com carinho – parte I

quarta-feira, março 25, 2009

ANOTAÇÕES PARA UMA AULA SUBVERSIVA

ANOTAÇÃO I – Na produção de imagens fotográficas não existe um “olhar isento”. Nem tão pouco uma “edição igualmente isenta”. Pensadores, com elevado grau de sofisticação intelectual, já escreveram sobre o tema. Lembro de textos de Vilém Flusser, Adorno e Walter Benjamin. Ainda assim, nunca é demais (re)afirmarmos que existe uma disputa ideológica na produção e respectiva utilização das imagens. Uma imagem sugere uma  determinada  subjetividade. Fotógrafos produzem, conscientemente ou não, estas subjetividades. Bens simbólicos.

ANOTAÇÃO II – Não por uma simples e inexplicável vontade do Divino Espírito Santo que, em plena ditadura, o curso de jornalismo foi desvinculado da área de ciências sociais (no caso da UFRGS) e sua estrutura física deslocada para o campus da saúde. Para o mais absoluto isolamento e onde permanece até os dias atuais. Agora, bem ao lado da Escola Técnica. E, quase que na mesma ocasião, os militares criaram as faculdades de “comunicologia” e a habilitação em RP (relações públicas). Medida assinada pelos ministros Jarbas Passarinho e Delfim Neto.

ANOTAÇÃO III – Nos tempos atuais, ao examinarmos todo o material fotográfico de uma edição de Zerolândia, por exemplo, constatamos que cerca de 95%, em média, de todas as fotos publicadas são originárias das assessorias de imprensa e das agências. Creditadas como foto/divulgação. Não se trata apenas de uma questão de redução dos custos operacionais. É uma necessidade “empresarial” de controle político e ideológico. No passado, velhos e combativos fotógrafos realizavam seus registros a partir de um “determinado olhar”, assim como a maioria dos repórteres escreviam, também, a partir de um determinado enfoque. Um quadro geral que acabou determinando, por parte da ditadura, um descarado incentivo às atividades das assessorias de relações públicas. É desse período o aparecimento dos “jornalistas” com duplo emprego. Prática não mais necessária, nos tempos atuais, pela disponibilidade de profissionais, além da necessidade da manutenção da imagem de isenção. Segue a babaquice da discussão da obrigatoriedade do diploma. Os bons fotógrafos(as), diplomados, estão quase todos desempregados.

Do blog Ponto de Vista, do mestre e amigo Wladymir Ungaretti.

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One Comment leave one →
  1. quinta-feira, março 26, 2009 13:49

    vou reproduzir no meu também. não podemos perdê-las. Abraços

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