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Pela crise permanente

quarta-feira, março 11, 2009

O mundo dá voltas e a cabeça também. Por razões óbvias, tenho refletido muito nesses últimos meses e, ao menos a distância daquilo que temos o controle, tudo, ou quase tudo, ganha proporções diferentes. Sobretudo se acrescenta novos conhecimentos e, no que me diz respeito, isso serve para embaralhar as convicções e muitas certezas. Como diria o velho mestre, se alguém de vinte e poucos anos tem muita certeza sobre as coisas, algo vai errado. Digo isso porque revejo muitas coisas, sempre. Das muitas leituras realizadas nesse tempo de ociosidade e do contato com uma realidade diferente retiro uma tal confusão de fazer inveja a um perdido adolescente de 15 anos. Essa confusão, logicamente (mas convém esclarecer), é subjetiva, etérea: se refere à complexidade das coisas ao mesmíssimo tempo em que escancara a crueza dessas mesmas coisas e as reduz a um mínimo denominador comum – se é que isso é possível. Estou sempre em comparação comigo mesmo em relação ao instante anterior. Às vezes esse recorte é o de fases da vida, às vezes de fração de segundos. Lembro, por exemplo, das muitas discussões aqui neste espaço mesmo, trocas acaloradas e por vezes ríspidas de idéias. Nenhum arrependimento no que concerne a trocar idéias, mas talvez a forma ou – pior ainda – o ponto fundamental das minhas próprias idéias estivessem equivocados. Ou talvez ainda tudo isso seja um processo de construção e eu em nada deva me censurar. Talvez, mas parece muito autoindulgente. Me aterroriza o fato de ser confundido com um bloco monolítico de idéias e opiniões. Talvez por vezes tenha sido de fato assim, mas não corresponde à inteira verdade. Fico humildemente feliz, de qualquer forma, em poder me corrigir, em revisar o que antes me era tão claro. Eu sou orgulhoso de me contradizer, o que por si só parece uma contradição. Mudo de opinião porque – é preciso se desculpar neste momento – eu penso. Tenho um lado, cristalinamente exibido, e penso.

Exultei ao descobrir dia desses que o termo crise, muito em voga ultimamente, provém de um radical grego, o mesmo que originou o termo critério. Portanto o ponto culminante de crise é aquele em que temos o maior discernimento possível, o instante em que exploramos ao máximo nosso critério, quando nos confrontamos com a verdade, ou uma das verdades. É quando estamos plenamente cientes do real “peso” da situação. Precisamos de uma crise permanente. Creio que cresceríamos como Humanidade.

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