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“É verdade, ragazzo”

sexta-feira, fevereiro 27, 2009

Chegávamos à Specola, a alta torre padovana na confluência dos canais d’água onde Galileu realizou o revolucionário gesto de apontar um telescópio para o céu, há exatos 400 anos. Hoje abriga, com sentido e um pouco de romanticismo, o departamento de Astrofísica da unversidade. Sobre uma das pontes, notei ainda à distância dois senhores, um já de cabelos brilhantemente brancos e levemente encurvado pelo tempo, o outro grisalho e sorridente. Estavam de braços dados, como sonho fazer com meu pai quando ele beirar o fim da vida. Ambos apontavam para alguns marrecos e patos que habitam a orla do canal e que no momento exibiam-se aos transeuntes. Aproximamo-nos a fim de passar sobre a ponte. “Vocês precisam vir aqui quando tiver um pouco de verde nas árvores”, me disse o senhor grisalho. “É muito bonito.” “Assim também é muito bonito”, ousei. Ambos olharam para a água, os marrecos e as árvores com as sobrancelhas erguidas e um meio sorriso nos lábios. O senhor grisalho virou-se de volta para mim, agarrou meu braço e sorriu. “É verdade, ragazzo. É verdade.”

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