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Horror da responsabilidade

quarta-feira, fevereiro 13, 2008

Faço atualmente uma leitura riquíssima, fantástica, entre tantas outras, e que não é a do post anterior. Por causa dela, creio que a partir de agora, sempre que for desmotivado por comentários neste espaço, pela ausência deles, pelo desinteresse geral em se discutir algo importante e a brutal indiferença que nossos tempos reservam a questões que dizem respeito a todas as nossas vidas, creio que me virá à mente frase lapidar do grande historiador Marc Bloch, fuzilado pelos nazistas em 1944:

“Não se recua diante da responsabilidade. E, em matéria intelectual, horror da responsabilidade não é sentimento muito recomendável.”

Não se trata de provocação ou lástima. Apenas identificação com um sentimento que, há quase 90 anos, um dos maiores intelectuais do século resumiu em sentença felicíssima. O que ele sintetizou nesta frase foi o comodismo — oriundo muitas vezes da preguiça mental, ou do mau-caratismo, ou da raiva, ou da inveja, ou tudo junto numa simbiose macabra — daqueles que nada têm a perder. De fato, deve ser infinitamente mais fácil acomodar-se em situação de franco destruidor, ao invés de contribuir. Certamente muito menos desgastante, ou mais seguro, fundamentar uma vida a desmerecer contribuições, por humildes que sejam. A apontar furiosamente, carregado de preconceitos e ojerizas, falhas e erros, e nunca correr o risco de cometê-los.

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