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Lavagem cerebral

quinta-feira, fevereiro 7, 2008

Tomei conhecimento do livro e do assunto através de matéria da CartaCapital, o que, por si só, vai servir para que muitas caras sejam viradas, numa linha de raciocínio preconceituosa e preguiçosa sobre a tal “parcialidade da imprensa”. Azar. O tema é extremamente pertinente e pouco pode ser feito a respeito se apenas CartaCapital tem o comprometimento jornalístico com a verdade factual que seria elogiável em qualquer veículo. Resumidamente, confesso ter me emocionado com a revelação, já que durante toda minha curta vida intelectual acreditei e defendi aquilo que foi a motivação e a conclusão da jornalista britânica Frances Stonor Saunders em Quem Pagou a Conta?, recém-lançado pela Editora Record. Trata-se de enredo simples, um tanto quanto óbvio e evidente mesmo não nutrindo qualquer anti-americanismo: durante a Guerra Fria, assustados com o crescente prestígio da proposta socialista junto à intelectualidade, sobretudo européia, a CIA preparou e executou um projeto secretíssimo de propaganda cultural. O objetivo foi cooptar simpatia pela influência americana. “A intenção do trabalho, mais do que reiterar casos conhecidos de colaboração política, é mostrar que, até hoje, a cultura consumida no Ocidente é, em parte, aquela que um dia a CIA chancelou”, diz a matéria. Seguem-se os exemplos e as comprovações nos diversos campos do pensamento e da arte e eu fico cá a pensar: isso não incomoda a ninguém? Não perturba o fato de ser muitíssimo provável que o que tomamos como parâmetro para uma infinidade de questões foi cirurgica e ideologicamente plantado? Sempre me pareceu estranho (e aqui utilizo exemplos já um tanto folclóricos e tardios) a bandeira americana a tremular em cada filme da Sessão da Tarde, as músicas triunfais quando Rambo assassinava frios terroristas na defesa pela liberdade ou quando os “estrangeiros” falavam línguas ríspidas, normalmente em situações vexatórias ou de inferioridade… Isso, diria um de meus raríssimos mestres, é a construção de uma subjetividade. Tendenciosa, covarde. Lavagem cerebral, na exata acepção, mas não aquela tosca, produtora de zumbis, e sim um controle sutil, jogando com as opiniões e com o embasamento de cada cidadão. Muitos dirão que superestimo o poder da sugestão, o que bem pode ser verdade. Mas é inegável que a influência americana foi obtida por métodos muito distintos da simples reflexão e conclusão de que os Estados Unidos eram o modelo a ser seguido. A História comprova. Resta saber apenas quantos assumirão tal “influência”, para usar um termo amenizador, e quantos tentarão explicar, ou mesmo defender, esse comportamento de seus “amigos”.

De qualquer forma, a algumas pessoas interessa tal assunto: não demorei mais que um dia para procurar o livro na Cultura e, para minha surpresa, a primeira remessa já havia esgotado. A saída foi a reserva, onde muitos me acompanham. Este tema, motivado pala obra, para mim é de grande importância e voltarei a ele em breve.

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