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Jornalismo(?) esportivo

quarta-feira, janeiro 23, 2008

A questão do jornalismo esportivo como um todo, aqui e mundo afora, e suas variantes de mediocridade e qualidade é tema recorrente entre jornalistas, público e os próprios profissionais do esporte. Um dos pontos importantes é que, desde sempre, quando se fala em jornalismo esportivo pensa-se, obviamente, em futebol. O restante do espectro, todas as modalidades conhecidas, das mais populares às mais “pitorescas”, permanecem perdidas em notas de menor importância. Assumindo essa abordagem, nos deparamos com inúmeros outros pontos de debate. Aquele motivado pela abrangência e tendência da cobertura me parece um dos mais persistentes e insolúveis. Desde já, me declaro fora dessa briga. Sigo defendendo senão uma equalização — o que é impossível e, muito provavelmente, injusto —, mas considero absolutamente utópica a idéia de transformar o jornalismo esportivo (falo de Brasil e de todas as mídias jornalísticas, do jornal impresso à TV) naquilo que sempre deveria ter sido: comunicação de um bem cultural. Isso porque (e esta é minha contribuição de momento à questão) o jornalismo brasileiro já anda mendigando, ao passo que a cobertura esportiva é de uma indigência mental de corar de vergonha os muitos incompetentes que se espalham pelas outras editorias. Tornou-se uma espécie de tradição implícita e não assumida nos veículos de comunicação o acomodamento, na editoria esportiva, daqueles espíritos jornalísticos mais propensos ao despojo, à irreverência. Perfeito, diriam, futebol é alegria, emoção. Respondo que confundiram irreverência com pobreza intelectual e acabaram por convertar a “análise nossa de cada dia” num espetáculo de vulgaridade e senso comum. Minha opinião é de que essa incompetência e descaso na abordagem séria do futebol e do esporte em geral é o que impede a resolução de problemas desse tipo. Basta assistir ao Sportv para comprovar a escassez de polidez no trato do assunto. O objeto da crítica lincada, vejo eu, é conseqüência. Há a idéia clara e difundida em (quase) todo jornalismo esportivo de que o futebol precisa de uma linguagem verbal, visual e, digamos, comportamental muito simplória, que é para poder ser entendida. Partindo daí, temos (é sempre unicamente minha modesta opinião) a violação de normas simples de seriedade, competência e polidez, seja no linguajar chulo, nas matérias “pobres de espírito” ou na desigualdade de cobertura, muitas vezes privilegiando centros isolados e, eventualmente, menos importantes. É nesse sentido que faço a ressalva de algumas linhas acima e teço loas à ESPN Brasil. Em vários aspectos, o canal liderado por José Trajano cerca o futebol e o esporte do mínimo de seriedade que ele merece. Afinal, o futebol é o mais importante dos assuntos menos importantes. É justo que receba o devido tratamento, o que é bem diferente do que somos obrigados a aturar todos os dias.

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