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Old e New som

segunda-feira, dezembro 17, 2007

A recomendação veio de jovem amigo, sempre atento à música e que a trata como a arte elevadíssima que é. Joanna Newsom provoca alguma estranheza à primeira vista, inclusive por freqüentar a, digamos, periferia do mainstream — que, ao final das contas, acaba sendo mainstream, daí a surpresa. Newsom tem 25 anos, formação erudita, tocou em bandas de rock e seu instrumento é a harpa celta de 47 cordas. Ela, por sinal, manifesta uma inconformidade repleta de personalidade: admite que o público não aprecie sua música, cisme com sua voz riscada e um tanto infantil, mas não entende como alguém pode não gostar do som da harpa. Descobrindo seu segundo disco, Ys (de 2006), perturba o mistério que é o fato de suas composições complexas, inusitadas e de roupagem bastante erudita (na medida do possível) encontrar receptividade no grande público. Pode ser preconceito meu — certamente o é —, mas não julgava o mainstream capaz de absorver um trabalho como o de Newsom. A americana, para meu total espanto, vende álbuns, inclusive em sua terra natal. Outra dificuldade como ouvinte é caracterizar e o que dizer a respeito de Ys. Fala-se em estilo avant-garde, indie, folk. Sinceramente, perco-me na definição. Interessante é a “alma” da música de Newsom: apesar do acento irritantemente americano, suas canções soam européias, bem poderiam servir de trilha para os misticismos celta e bretão ou tocar em uma ressurreição dos tempos renascentistas. Ao mesmo tempo, ela invoca semelhanças com Björk — estritamente no que concerne às vozes trabalhadas e que desempenham vezes de instrumento. De resto, Newsom olha para trás, para um certo lirismo que Björk substituiu por efeitos modernosos e referências ao contemporâneo, o que acaba sendo chato e superficial. Newsom, a meu ver, finca as raízes na sugestão misteriosa que coisas antigas dão e não deixa de propor algo para a frente no tempo, contemporâneo mesmo (daí a receptividade dela junto ao público atual, jovem). Confesso uma certa confusão e entusiasmo com as criações de Joanna, quase não sabendo o que falar a respeito. Definiria como música de contos de fadas, ela própria, Newsom, uma elfa contadora de histórias. Riquíssima surpresa que me dá a idéia de que, apesar de termos nos perdido um pouco na poeira, ainda podemos dar passos largos à frente na música e continuar usando-a para embelezar o mundo.

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