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Medíocre, medíocre…

terça-feira, novembro 27, 2007

Detive-me em raciocínios estéreis, hoje, por alguns momentos. Tinha à frente a tabela do campeonato brasileiro que se finda e, da classificação mais alta ao último rebaixado, reservava momentos preciosos do meu horário de almoço a filosofar a existência daquela ordem, necessariamente aquela. Queixo apoiado sobre uma mão, o cotovelo sobre a mesa, olhar despojado para a tela onde brilhava os nomes quase numa seqüência lógica da sobrevivência dos mais aptos: São Paulo, Santos, Flamengo, Palmeiras, Fluminense, Cruzeiro, Grêmio… Por mais que o perfil ao lado revele parte de meu desânimo, concluí num repente, lembrando e digerindo informações sobre algumas centenas de jogos assistidos desde maio: que grande porcaria este campeonato. Não me sinto em condições de decodificar, aqui, todas as razões que me levaram ao que descobri ser o óbvio — o de que o Campeonato Brasileiro 2007 foi um desastre —, mas me arrico a sugerir um devaneio: reúna-se os mais de mil jogadores brasileiros “exportados” apenas este ano para o exterior, notadamente a Europa; inclua-se na lista os já radicados no Velho Continente, alguns a falar deficientemente o português brasileiro; escolha-se algumas sedes, cidades ricas de estádios decentes, distribua-se camisetas de nossas agremiações nativas. Pronto. Aí está o campeonato brasileiro real, fruto das benesses futebolísticas do país do futebol. Veríamos algo bem diferente, verdadeiro, nada dessa hipocrisia, times feitos da emergência, da perda de talentos, da grade da programação da TV, do dinheiro escasso no chapéu surrado, de jogos monótonos, jogadores medíocres crias da improvização e da necessidade, buracos nas arquibancadas a sugar torcedores, arbitragens cretinas e arrogantes, tribunais tendenciosos e prepotentes, estádios vazios, desequilíbrio técnico, um time campeão no início do segundo turno, um rebaixado no final do primeiro… Não teríamos, me parece, disparidades tão acentuadas, a reproduzir o país mais desigual do mundo. Somos ricos, estamos desde sempre pobres — também no futebol. Vendo um campeonato de verdade, assim sonho, veríamos ainda a imprensa a bajular quem realmente merecesse (donde já não seria mais bajulação), ou seja, o vitorioso por méritos próprios tão somente, algoz das dificuldades impostas pelos adversários; e não somente conquistador pela mediocriodade do contexto.

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