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Questão de civilidade

quinta-feira, setembro 13, 2007

A absolvição do sr. Renan Calheiros revela menos do que se possa imaginar em termos de putrefação da classe política brasileira. Fiquei com essa latente impressão desde ontem, dia fatídico, quando o acusado exibiu com destreza sua habilidade de ser político — a saber, ameaças veladas, ou nem tanto, a colegas, a demonstrar os bretes éticos dos que julgam, e não apenas do julgado. Mirou três de seus colegas, bem poderia ter colocado em foco outros tantos. E foram esses tantos intimidados, muitos até mesmo a contragosto, os que votaram, secretamente, pela manutenção de tudo como está. Entristeço-me ao perceber que já não me entristeço mais. Resmunga-se aqui e acolá, e permanecemos resmungando em focos isolados, ilhas de insatisfação, até se poderia ouvir o zunido. Em Brasília e nas demais salas do poder não se resmunga, se cochicha. Nessas conversas secretas e de volume bastante moderado muitas vezes trava-se o destino da nação, como ocorreu ontem. E não há razão para “temer” mudanças: vivemos todos (ou quase todos) uma ética deturpada, torta, e enquanto esbravejamos com o dedo em riste nos esquecemos que superamos nossas dificuldades diárias muitas vezes apoiados na mesma ética capenga que fez inocente um lacaio como o sr. Calheiros. É, muito em parte, questão de civilidade.

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