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Caso Guerreiro: vícios aristocráticos

sábado, agosto 18, 2007

Segue envolto no mais hermético e profundo mistério o caso José Alberto Guerreiro, conduzido a duras penas pelo Conselho Deliberativo do Grêmio, com versão paralela na Justiça. Como gremista e jornalista, tudo relacionado à derrocada do clube quando da gestão Guerreiro me inquieta. Grosso modo, diria que também me revolta, mas espero a decisão da justiça — nesse caso, muito mais confiável que o veredito resultado dos trâmites e conchavos passados nos corredores do Olímpico — para eventuais (e prováveis) acessos de fúria plena. Aos desinformados, procuro esclarecer. José Alberto Guerreiro presidiu o Tricolor no período 1999-2002 e, a despeito do escandaloso seqüestro de Ronaldinho pelos piratas franceses do PSG, a saúde financeira do Grêmio não diferia muito da média dos clubes brasileiros, qual seja, consideravelmente desesperadora, onde os crescentes recursos advindos das transmissões da Globo representavam o placebo de pacientes terminais. Em meio à saída do maior jogador do mundo da atualidade, Guerreiro — notável empresário — vislumbra o futuro na parceria do clube com a suíça ISL, empresa de marketing esportivo, idos de 2000. As parcerias com gestoras da área esportiva era tendência que Guerreiro e parte do Conselho julgavam equívoco desprezar, mas a gigante do marketing faliu e o Grêmio arcou com as conseqüências, sobretudo o abrupto fim de aporte financeiro. No fim da gestão Guerreiro, a situação administrativa do clube encontra-se em estado bastante precário, muito devido à quebra da parceira, fato que serve, até hoje, para contextualizar a crise gremista dos anos seguintes, a mais grave em 100 anos. Outros fatores, no entanto, se integram ao rol do colapso, o principal sendo uma grande desconfiança que se abate sobre a direção em enredo ligado a cheques de valores elevados descontados “por fora”, desligados das finanças do clube. Guerreiro, desde então, passa a alvo de investigações, no princípio comedidas e inseguras, logo abertas e objetivas. Em intervenção no programa Sala de Redação, da Rádio Gaúcha, na última terça-feira (se a memória não me falhar), o ex-vereador Pedro Ruas, relator da comissão responsável pela investigação do caso desde agosto de 2006, traçou o histórico das ações que desembocaram no relatório arquivado em votação nesta semana. Em resumo, desde 2004 um grupo de conselheiros especialmente designado seguiu a trilha dos indícios e formulou o relatório para apreciação do Conselho. Além disso, o possível roubo originou ação judicial que pode determinar a prisão de Guerreiro. O alarmante é a decisão do arquivamento, sem a leitura, na última reunião, fomentada energicamente por Fábio Koff e Paulo Odone. Como disse, aguardo novos capítulos, mas esse comportamento evidencia uma mentalidade de Velha República, meia dúzia de barões mandando despoticamente, a demonstrar os vícios aristocráticos daqueles que têm o poder nas mãos. Basicamente, me pergunto por que figuras tão representativas do clube alinham-se sem justificativa aparente a um acusado de infração tão grave, prejudicial ao bem comum que os une? A votação decidiria a expulsão do ex-presidente do quadro social do clube, como previsto nos estatutos do Grêmio (acusação por administração temerária) e, sem dúvida, humilhação ímpar. Mas, convenhamos, bem menos do que pede a boa prática judiciária, ou seja, prisão. Questiono mais pontualmente: recebendo aprovação em todas as deliberações preliminares, como de fato ocorreu, o que consta no relatório de tão sensível ao poder instituído no Grêmio? Que fim, afinal, levou o dinheiro e qual a culpa de Guerreiro? E por que a imprensa pisa em ovos ao sussurrar o assunto?

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