Skip to content

Dor e saudade

terça-feira, agosto 7, 2007

Sempre ouvira falar a respeito da peculiar propriedade da nossa palavra saudade e sua inimitável carga semântica, sem similar em todas as outras línguas — mesmo entre as irmãs de origem latina, teoricamente. Pois iniciando um livro descoberto há bem pouco, coletânea de contos romenos editada no Brasil na década de 1960, me deparo com a seguinte surpresa, grata e bela, escrita pelo organizador da obra, Nelson Vainer:

“Num texto francês de autor romeno encontrei esse trecho, que transcrevo: ‘A poesia popular romena é dominada por um sentimento difícil e complexo: o intraduzível dor, que lembra, de maneira imperfeita, o longing inglês ou a Sehnsucht alemã. O dor é o mal da ausência, essa nostalgia sem esquecimento, que lembra numa seqüência indefinida a melancolia, a mágoa, o vago da esperança. Mas, quaisquer que sejam os caminhos desse estranho sentimento, ele não implica jamais uma rotura entre o homem e o seu eu, entre o seu espírito e o mundo’. Só há, nesse texto, um erro. Nem o dor romeno, nem a nossa saudade são intraduzíveis: uma expressão corresponde exatamente à outra.”

Nenhuma correspondência poderia ser mais exata e perfeita. Saudade é dor que não mata.

Anúncios
No comments yet

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: