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Brincadeira?

sábado, julho 28, 2007

Talvez me tenha faltado algum tato ou perícia. Já me foi alertado, inúmeras vezes, o perigo da ironia, que foi o que procurei fazer no texto anterior. Há tempos é de conhecimento público sua função, metodologia e objetivos. A motivação de minhas palavras (essa sim cabe explicação) foi o fato de, há onze dias, um avião ter saído da pista de um aeroporto e matado centenas de pessoas e a culpa ser atribuída ao presidente Lula. Única e exclusiva motivação: a descabida atribuição a uma pessoa isoladamente, sabidamente como metáfora de insatisfação por razões alheias à tragédia e à revelia de toda uma estrutura deficitária. O texto, salvo análise mais qualificada, jamais exime o governo de culpa, mesmo que partidarizar (ou evitar a partidarização) sejam mecanismos comuns em discussões como essa.

“Falhas técnicas” referem-se a defeitos na aeronave e erro humano, evidentemente. Circunstâncias finais e extremas em todo o procedimento de vôo.

Informação é útil, sempre: Congonhas opera tanto e em situações muitas vezes tão adversas por pressão das companhias aéreas, que ali lucram — e muito —, beire o cômico ou não. O aeroporto tornou-se caótico por conta da utilização fomentada pelas companhias, da qual, em parte, o caos é conseqüência, na ânsia de tirar proveito de um aeroporto localizado na área central da maior metrópole da América Latina. Lobby sim, em sua forma clássica. Cabe ressaltar que a omissão dos governos desempenha papel decisivo.

Apesar da ironia reger a idéia central do texto, jamais estarei “de brincadeira” aqui, a formular sentenças de forma leviana e despreocupada. Pelo contrário: a única razão pela qual dedico tempo e esforço (por mínimo que seja) com estas linhas é a agonia de ver injustiça por todos os cantos, sejam contra ou a favor de meu próprio clã. Tenho para mim que é erro crasso achar que pode bancar o liberal um país continental onde apenas 5% da população ganha mensalmente renda acima de 800 reais e que larga na vice-liderança mundial em desigualdade. Sou fiel às minhas convicções (poucas que são), tanto que vou embora, sem remorso neste aspecto, para terras onde, de fato, eu possa fazer algo por mim mesmo. Ao mesmo tempo, é frieza que não tenho, nem desejo jamais ter, o virar de costas para o drama diário de mais de 120 milhões de conterrâneos meus.

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