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Medo de partitura

quinta-feira, junho 14, 2007

A música, penso já ter afirmado isso, sempre pareceu-me algo intocável, distante e quase mágico. Como se deter o conhecimento musical exigisse uma iniciação hermética, uma incursão a segredos rígidos, compartilhado em recintos sigilosos, cercados por uma irmandade restritíssima. De fato, esse sentimento não procede, apesar da inevitável dificuldade em se dominar uma arte — o que pressupõe o mínimo de talento e o máximo de esforço. Creio que Vinícius Prates, o jovem professor que me orienta (com relativo sucesso) nesses assuntos quase cabalísticos de fazer soar razoavelmente bem uma flauta transversa, talvez não tenha a exata noção da grandiosidade didática do que me assegurou esta manhã. “Não há por que ter medo de partitura”. Interessante e, até onde posso falar, verdadeiro. Aquelas pautas com inúmeros tracejados, círculos e notações diversas intimidam e fazem recuar as almas menos preparadas. Fico a pensar como seria belo lê-las por completo como se lê essas linhas de letras e espaços, simples como pode ser o deslizar de olhos sobre caracteres reconhecíveis e familiares. Um dia chego lá, quem sabe mesmo a ponto de ouvir os códigos unidos em melodia harmoniosa. E, melhor ainda, capaz de reproduzir eu mesmo tudo aquilo, quiçá uní-los de acordo com minha própria criatividade.

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