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As tipicidades e o atípico

quinta-feira, junho 14, 2007

Interessante o jogo de ontem, final da Libertadores, Bombonera. Creio que nem mesmo o mais sagaz e irônico secador pode fugir à verdade factual de que o Grêmio jogou bem, num apanhado geral da partida, impedindo resolutamente as ações dos argentinos e tendo claro na mente e no campo o que fazer com a bola nos pés. Talvez, e isso é apenas uma conjectura, faltasse um pouco mais de sorte, o que definitivamente não explica nada, mas dá conta de uma demanda ululante: a de que, excluíndo-se o óbvio (a incompetência, cegueira e canalhice do bandeirinha), o Grêmio mereceria descansar no intervalo com o placar a seu favor. Ou, sejamos (ainda mais) razoáveis, com o placar não desfavorável. A expulsão de Sandro Goiano — por mim temida, com sinceridade, desde sempre — não a vejo como fator determinante para o desequilíbrio da lógica da partida. A discussão sobre o lance em si parece-me discutível: não a expulsão, que receberia o segundo cartão amarelo, mas a motivação do pé elevado a atingir o adversário, a biografia e perfil do infrator, tudo a conspirar para que a saída de Sandro (e o próprio jogador) fosse encarada como desestabilizador daquilo que vinha funcionando em perfeita ordem. Cito esse evento como catalisador que foi da atribuição de responsabilidade pela derrota larga (talvez demais), mas interpreto Boca versus Grêmio, primeira das finais da Libertadores 2007, como um jogo atípico, permeado de tipicidades do futebol (gol em impedimento clamoroso, expulsão, cobrança de falta e atentado à própria meta). Foi, sustento até melhor análise, um resultado absolutamente descolado dos acontecimentos de campo. E também de contexto: para quem temia a Bombonera, comprovou-se o discurso amenisante gremista de que trata-se de local peculiar, templo sem dúvida, mas ainda assim um estádio de futebol como outro qualquer. O Boca carrega a torcida, e não o contrário. O Grêmio teve o grande mérito de abalar essa interdependência, competente que foi durante boa parte do jogo. Isso parece-me inegável. Fica o placar, está certo, acrescidas as deficiências e incompetências gremistas, notadamente o sofrível Tuta e o apático Tcheco. Mas o raciocínio que serve para a partida incomum e complexa de ontem serve para defender a possibilidade de eventos semelhantes na próxima quarta. Assim, com o otimismo colocado devidamente abaixo do realismo, não é de se calcular as chances gremistas como próximas de zero. Não há no planeta outro clube tão capaz de manipular as improbabilidades quanto o Grêmio.

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