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Juris et de jure

sábado, maio 12, 2007

Após minha segunda mal-fadada experiência em audiências judiciais, penso cá comigo qual seria o problema exato destes que trabalham com o direito. Me pergunto certo de que terei respostas de leitores atentos e sinceros sobre a prática, o sentido e o mérito da sua profissão. O ponto central de minha dúvida é porque juízes e advogados fazem largo e desnecessário uso da pressão e coersão na medida em que dispõem do poder do inquirimento. Traço, mesmo que informalmente, um comparativo entre direito e jornalismo, unidos que estão na busca pela verdade factual. O primeiro, como disse, tem como sua ferramenta elementar o poder institucionalizado, capaz de tornar óbvia a autoridade de uma pessoa sobre outra, em todos os sentidos. O segundo, na mesma perseguição dos fatos, deve contornar a simples e eloqüente barreira da, via de regra, falta de influência sobre o objeto investigado. Diriam, com razão, que a função primordial do direito é fazer prevalecer a lei, o que equivaleria dizer fazer justiça, ao passo que o jornalismo tem sua razão de ser na exposição direta da verdade. Mas o direito compreende o ofício jornalístico (em outros termos, claro) já que carece de investigação e pesquisa. Volto então à dúvida inicial: por que precisam elevar-se um estrado acima dos depoentes, exprimir-se com tamanha gravidade e rispidez, truncar tanto a exposição daqueles que desejam visceralmente contribuir para o esclarecimento? E por que, na mesma medida, esforçam-se por demonstrar tanto enfado e auto-suficiência, como se frisassem que porque leram centenas de livros jurídicos merecem estar ali, naquela situação de superioridade? Sugestão humilde, talvez devessem os senhores magistrados e o direito em geral, conhecimento tão tradicional e valorizado, estender um pouco o olhar sobre os métodos do primo pobre jornalismo, a mais desvalorizada das profissões diplomadas. Digo do fundo do coração, pensando certamente nas honradas excessões que sempre existem, mas o direito produz versões vencedoras, não justiça plena ou mesmo parcial. Estudantes de jornalismo, mesmo perdidos no generalismo da profissão, assistem a aulas de direito na faculdade. Depois de ser novamente intimidado e menosprezado por um “meritíssimo senhor juiz”, penso o quão útil seria exatamente o contrário.

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