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O que tem de ser dito

quarta-feira, maio 9, 2007

Poucos são aqueles que, nesses nossos dias, dizem aquilo que precisa ser dito. Seja por total subserviência, absoluta incompetência ou, o horror completo, por ignorância do que se passa à volta. Que fique claro, falo daquilo que deve ser dito sob todos os ângulos, aspectos, vieses, pontos de vista, nuances. A tudo cabe discussão e indubitavelmente ganharíamos todos se houvesse uma real troca de idéias, não importando a natureza dos problemas. A realidade atual escancara o exato oposto: temas de conteúdo proibitivo, por quaisquer razões e, portanto, escondidos da convivência comum e livre trânsito. Vivemos a era da cascata, da empulhação e, sobretudo, da manipulação. Contrariando tudo isso, ao menos sob a minha ótica, encontro, camuflada em palavrório por demais acadêmico e engomado, uma frase digna de ser refletida. Em entrevista à Carta Capital desta semana, o professor italiano de filosofia Giacomo Marramao comete o pecado de expôr, claramente, um raciocínio interessante: “Com muita freqüência, as ideologias liberais nada mais são que máscaras da lógica que governa a economia”. E arrisco uma conclusão: de tão livre, a próprio ideologia liberal acaba por ser manipulada para justificativas mil, que não aquela de motivação original e, por vezes, até frontalmente oposta. Triste é constatar que muitos defensores não percebem estarem agarrados, convictamente, à versão genérica ou mesmo manipulada. Enganam-se, são enganados, por aquilo que diz ser o que, há séculos, já não é mais.

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4 Comentários leave one →
  1. Juliano permalink
    quinta-feira, maio 10, 2007 14:08

    E, concluindo, na minha opinião, o primeiro teórico socialista foi Jesus Cristo. Que era Filho de Deus, convém lembrar (hehe).

  2. Juliano permalink
    quinta-feira, maio 10, 2007 14:05

    Por que será então que aqueles se identificam como liberais, no Brasil, são exatamente os mesmos que travam as supostas reformas liberais? Tenho um palpite: talvez porque sempre viram o Brasil como uma imensa caixa registradora, de onde, ao apertar um botãozinho, a gaveta abre facilmente. Os não-nativos de mesma opinião entram na onda e temos o país que temos.

    E acho questão pura e (quase) simples de conhecimento histórico pra perceber que, sob diversos ângulos da questão, uma minoria de países liberais tiveram “resultados excelentes” – por razões muito mais diversas do que julga nossa vã filosofia. Eu abro a questão para além das fronteiras econômicas – pra mim isso é parte da questão. A observação deve ser feita enquanto nação, não enquanto país. Um país onde impera uma quase tradição de estudantes entrarem em salas de aula armados até os dentes e assassinaram 30, 50 pessoas por vez não pode ser considerado uma nação de sucesso.

    Fato é que concordo contigo, Eduardo, ao sugerir a aplicação de diversas formas de governo. Estranho, no entanto, tu esqueceres que o pensamento liberal atribui valor preponderante ao viés econômico (o que acho um erro). A Suécia (excepcional exemplo, perco o sno pensando sobre os países escandinavos) é um híbrido.

    Abraço.

  3. edu delamare permalink
    quinta-feira, maio 10, 2007 4:35

    So pra concluir: na minha opiniao, o primeiro teorico liberal foi o Buda Sidharta Gautama.

  4. edu delamare permalink
    quinta-feira, maio 10, 2007 4:33

    Concordo “estrogonoficamente”!!! Falta `aqueles que se dizem liberais estudarem mais a respeito do que se propoe a defender. Ja ouvi cada baboseira de neguinho “liberal” (tipo Cesar Maia) que sinto ate vergonha alheia.

    Infelizmente, no Brasil, os libertarians ainda sao poucos. Pouquissimos. Alem disso, sao rotulados junto com a “direita” brasileira, o que praticamente sufoca qualquer tentativa de ser levado a serio. O “filme” liberalista foi “queimado” na America latina com governos serelepes que aplicavam medidas de abertura em estados monstrengos endividados. Dai, criou-se o preconceito.

    O liberalismo levado a serio e bem aplicado produz resultados excelentes (a historia esta cheia de bons exemplos).

    Entretanto, hoje acredito que o progresso nao eh condicionado a um unico e eterno sistema politico administrativo (seja ele liberal ou socialista). A conviccao cega neles leva a efeitos adversos que bem conhecemos – o totalitarismo de esqueda e o corporativismo de direita. Feliz eh a nacao que consegue perceber quando eh tempo de aplicar um ou outro (como a Suecia, por exemplo).

    Eu acho que no caso do Brasil, algumas reformas liberais de vital importancia nunca foram feitas – vide o sistema tributario e previdenciario – e o pais sofre muito por causa disso. Essa eh a razao pela qual eu sigo afirmando que o liberalismo de fato nunca chegou ao Brasil. Eh claro que alguns efeitos vieram na onda da economia mundial, mas o que se viu foi um Frankenstein. O liberalismo brasileiro ficou soh na crosta.

    Acho que o comentario ficou maior que o post. Hehehehe.

    Abraco.

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