Skip to content

Música e nostalgia

terça-feira, abril 24, 2007

Aproveito a passagem por Porto Alegre de uma das maiores bandas da história do rock e faço raciocínio breve sobre a música em seus diferentes, digamos, estados de espírito. Jethro Tull, assim como Pink Floyd, King Crimson e muitas, muitas outras — em que pese as últimas citadas não mais existirem formalmente — pertencem a uma época digna de nostalgia dentro do universo musical do rock. Não me refiro ao mérito ou mesmo às propriedades do gênero musical em si, apesar de ser da opinião de que o rock tornou-se verdadeiramente arte (na máxima acepção da palavra) a partir das inovações estéticas, estruturais e de interpretação que o progressivo imprimiu, sobretudo durante os anos 1970. Falo sobre a motivação, o desejo, e, se me permitem, o tesão de se fazer música. Mais do que isso, fazer música de qualidade. Me parece que o objetivo de construir arte sob a forma de sons e, mais especificamente, dentro de um contexto que é o rock, perdeu o sentido. Repito que não se trata de fazer a mesma música de 30, 40 anos atrás. A questão é manter intacto o foco na feitura de algo superior, independente de forças de mercado, modismos e temor do fracasso de vendas — o que determinaria, no mínimo, uma música mais livre, menos preocupada em moldar-se ao gosto da audiência e, creio, de maior qualidade, sim. Sonho, claro. Não há racionalidade nesse meu desejo. Mas compartilho o pensamento medieval (não esperem de mim um sentido pejorativo nessa referência) sobre a própria contemporaneidade: o passado glorioso de Roma brilha lá atrás, enquanto aqui ficamos na penumbra sinistra de uma época sem criatividade e imaginação, por demais comprometida com a subsistência em detrimento de algo melhor. Mesmo que não se dê exatamente nesses termos as motivações da música atual.

Anúncios
2 Comentários leave one →
  1. Juliano permalink
    quarta-feira, abril 25, 2007 15:54

    Concordo totalmente (em 1994, o Oasis começou a salvar o mundo). Mas a questão é que a forma de se pensar e de se encarar a música foi alterada. Pra muito pior, é minha opinião.

  2. edu delamare permalink
    quarta-feira, abril 25, 2007 3:10

    Concordo que exista um vacuo criativo, mas acho que ja foi pior. O fim dos anos oitenta ate o meio dos noventa foi a idade das trevas da musica no mundo. Alem disso, a perda de folego da industria fonografica – motivada principalmente pela musica digital – indica que viveremos uma nova fase “experimental”. Algumas boas bandas novas ja indicam isso. A tendencia eh boa.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: