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Libertinagem no Fórum da Liberdade

terça-feira, abril 17, 2007

Apesar de ouvir não ser capaz de lidar com opiniões contrárias, ou opostas, tenho pra mim que existe o real perigo da acomodação e da indiferença que já falava meu amigo Daniel Ricci. Esse texto é uma forma, ainda que parca e quase que completamente inútil, de libertar alguma estupefação. E o que conseguiu quebrar minha inércia das últimas semanas de calor revigorado em Porto Alegre foi o inefável Fórum da Liberdade. Antes que se ergam vozes reclamantes, explico que, até o presente momento, minha discordância para com o evento permanecia restrita aos meandros ideológicos. As discussões do ponto de vista liberal precisam existir, mesmo que desnecessárias, já que o mundo é mundo porque o liberalismo o moldou assim nos últimos 200 e poucos anos. Mas nenhum daqueles que almejam levar na cara alguma vergonha, disfarçada que seja, passam impunes pela desfaçatez da organização da versão 2007 do tal fórum. Sob o mote “Propriedade e desenvolvimento”, deve ter sido considerada brilhante e provocadora a idéia de acomodar, no saguão do prédio anfitrião do evento, uma carcaça de caminhão destruído pelo fogo. A princípio (afinal, não há prova alguma de sua procedência), o veículo fora queimado por integrantes do MST, na fazenda Coqueiros, palco de barbáries diversas. Baixo, baixíssimo, quase ao nível do chão imundo. Como seria se, no muito mais importante e relevante Fórum Social Mundial, o átrio principal da PUC fosse decorado com cadáveres de miseráveis excluídos pelo Sistema. A comoção da imprensa corporativa com os “pensamentos” do Fórum revolta pela desproporcionalidade, mas nada deveria maltratar mais os estômagos e mentes que esse ato covarde, pretensamente esperto, efetivamente ridículo, de exibir como troféu um símbolo da violência — sem comprovação. Transforma-se, assim, um ícone de intolerância na intolerância em si.

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18 Comentários leave one →
  1. Veri permalink
    terça-feira, abril 24, 2007 1:34

    “A não ser que seja um encontro de bombeiros”

    Muito bom!!!! Hahahah!!!

    Beijos

  2. Juliano permalink
    segunda-feira, abril 23, 2007 23:37

    Eduardo,
    o que me causou espanto foi o fato de tu não teres entendido, ou aceitado, que meu texto tratava única e exclusivamente de um episódio, o do caminhão — e que isso não expressa minha opinião GERAL sobre o Fórum da Liberdade. Mais, tu subestimasse minha capacidade (e de todos que têm opinião mesmo que levemente parecida com a minha) na medida em que tu concluíste que eu detesto o liberalismo simplesmente por ter criticado algo que clamava de joelhos implorando uma censura.

    Como eu disse, tu procuras enxergar minuciosos fragmentos de ideologia em tudo o que digo. É quase como uma “polícia política”, hehehe. Te digo que não funciona assim. E talvez eu tenha mesmo usado palavras mal pansadas, levado pela indignação, pra exprimir uma idéia, mas o cerne da questão, proposto pelo texto, tu preferiste não ver. E isso é uma falha clamorosa, a meu ver.

    É evidente que tenho cá minha opinião e tu tens a tua, como cada um tem a sua. O único ‘porém’ disso é relevarmos, com base em nossas crenças, coisas que devem ser atacadas independente de corrente ideológica, clube para o qual torcemos ou vaidade própria. Foi a isso que se propôs o meu texto. O caminhão tem sua ligação com o Fórum, e isso talvez tenha te restringido a crítica. Mas eu enxergo o liberalismo independente das pessoas que o defendem, ou sustentam. Tu deverias fazer o mesmo para diversas outras idéias diferentes das que tu defendes.

    Tu e todos podem acreditar em mim: não detesto nada nesses assuntos. Pode parecer o contrário, mas não tenho milhões de certezas e sim milhares de dúvidas. E, se peco por algo, é por estar tentando entender e chegar ao mais correto — que, é importante frisar, acho que não se encontra pronto em lugar algum.

    Assim que puder, farei uma análise do Fórum da Liberdade. Um abraço.

  3. edu delamare permalink
    segunda-feira, abril 23, 2007 2:09

    Dani, fui breve na analise do trator queimado, mas dei sim minha opiniao sobre ele: achei uma atitude infeliz (pode ler nos primeiros comentarios). E nao eh porque a organizacao do forum teve essa ideia ridicula, que o evento todo tenha que ser rotulado a partir dela.

    E tambem nao eh porque os organizadores tenham cometido um erro, que o Jardel tenha que cometer outro. Jardel, nunca subestimei tua capacidade de pensar, muito pelo contrario. Por isso mesmo, fui tao critico com teu texto – de ti, eu esperava mais.

    Olha que eu honestamente procurei encontrar alguma ponderacao no que tu escreveu sobre o forum, mas soh vi coisas do tipo “intolerancia em si”, “discussoes desnecessarias” e um sarcastico “inefavel”. Eh dificil enxergar ponderação assim!

    Tambem mostrei o texto para outras pessoas – na tentativa de descobrir se o problema era a minha visao que estava “viciada”. A opiniao de quem leu foi parecida com a minha, acharam que tu nao gosta nenhum pouco de liberalismo, bem como acha desnecessarias discussoes acerca dele.

    Entretanto, tu acabou de dizer que isso reflete apenas “uma parte da questao”. Te proponho, entao, que analise o forum a partir do que ele realmente se dispos a discutir, que foi muito mais do que a ruina do caminhao.

    Abraco

  4. Juliano permalink
    sábado, abril 21, 2007 5:28

    Ia me passando. Na ânsia de não ser subestimado, ia superestimando: o Fórum da Liberdadem de fato, não é a tal reunião de pessoas que querem dominar o mundo. Essa aí se faz em Davos, Suíça. Como bem manda o figurino dominante. Hehehe.

    E viva o futebol!

  5. Juliano permalink
    sábado, abril 21, 2007 5:24

    Vamos tentar de novo: eu NÃO tratei “o ‘problema’ exatamente como (eu) enxergo”. Tratei de uma parte da questão, a pior face do tal Fórum. É o foco.

    Achar meu ponto de vista “tao simples e maniqueista”, o que resulta num “texto superficial”, é subestimar. Imaginar que qualquer um possa pensar que o Fórum é “reuniao de ‘pessoas do mau que querem dominar o mundo'” beira a brincadeira. Presumo que não tenha deixado transparecer essa opinião tosca, o que me leva imediatamente à conclusão que tu pensas que penso isso. Isso se originou de um consenso, a de que colocar um caminhão incendiado num saguão é, no mínimo, pobreza de espírito (gosto dessa expressão).

    Se tu colocares ponderação nos teus olhos, vai conseguir enxergar ponderação (mesmo que parcial ou posicionada) nas atitudes dos outros. Ou não, e daí vai continuar a subestimar a capacidade dos outros de pensar. Mas ser alvo disso é o menor dos riscos que corre aqueles que dão a cara pra bater, não é mesmo?

    E não fico brabo, como bem trata o post anterior. Especialmente hoje.

    Baita abraço.

  6. Daniel permalink
    sábado, abril 21, 2007 2:25

    Existem algumas pessoas (não digo que o Eduardo seja destas) que realmente pensam, do fundo de sua mentalidade obscurantista, medieval, que o MST nasceu para “fazer arruaças”. Essas pessoas, todas com acesso a todos os livros do mundo certamente nunca leram uma mínima linha sobre a ques~tao rural no Brasil. Eu que li tão pouco sei.

    Aí, os nossos técncos da direita, os donos da chancelaria, os nossos colossos do método botam um trator queimado pelo MST na antesala do seu convento de amizades.

    Eu não consigo imaginar nada mais maniqueísta, de pouco sentido, ralo e duvidoso do que um caminhão queimado no meio da uma convenção. A não que seja um encontro de bombeiros.

    Mas vá lá.

    Digamos que o Eduardo criticou a resposta do Jardel ao maniqueísmo inicial dos nossos próceres do planejamento e da gestão. Este, o maniqueísmo pai, o trator queimado, por sua vez, escapou ileso à análise dele. Sabe-se lá o porquê…

    Logo eles que tanto planejam, e planejam, e planejam…

  7. edu delamare permalink
    sábado, abril 21, 2007 1:41

    Jardel, nao acho que tenhas desviado do assunto. Tu tratou o “problema” exatamente como tu enxerga.

    Acontece que o evento era/eh muito mais profundo que isso. Analisar a coisa toda por um ponto de vista tao simples e (repito) maniqueista deixa o texto superficial.

    Quero deixar claro que o liberalismo nao eh resposta pra todos problemas do mundo, mas exitem momentos em que ele precisa ser aplicado. E outros momentos, nao.

    Se o pais quiser ir a algum lugar, precisa discutir algumas estrategias liberais que nunca foram aplicadas na nossa realidade politica/ administrativa. Achar que eventos como esse sao reuniao de “pessoas do mau que querem dominar o mundo” eh virar as costas pra algo importante.

    Hehehehe! Tche! Nao fica brabo! Se eu nao fizer o contraponto pra ti, quem vai fazer?

    Abraco especial de verdade.

  8. Juliano permalink
    sexta-feira, abril 20, 2007 19:37

    P.S.: Eduardo, ironia é especialidade da casa. Abração especial. É sério.

  9. Juliano permalink
    sexta-feira, abril 20, 2007 19:36

    Talvez seja um “defeito” jornalístico, mas defini um foco para o texto, que é o fato de terem posto um caminhão incendiado com grave atribuição de autoria, sem provas, como atração de um evento político/econômico/ideológico. De fato, não me desviei de qualquer assunto, na medida em que não me propus a abordar “estrategias para alvancar a economia; reformulacao do sistema tributario; discussao acerca dos resultados obtidos com os assentamentos da reforma agraria”. Mas isso, prodigamente, alguns perceberam (opa! outra pérola).

  10. Veridiana permalink
    quinta-feira, abril 19, 2007 17:51

    E o nosso ilustre deputado Vieira da Cunha, por onde anda? Não vai pedir uma CPI da Segurança no RS agora?

  11. Veri permalink
    quinta-feira, abril 19, 2007 17:20

    O Fórum Social Mundial só não é mais importante que o da Liberdade aqui na província. Em todo o país, e em algumas partes do mundo, o Fórum Social Mundial é colocado como contraponto de Davos. Portanto, em termo de tamanho, participação e visibilidade, é muito mais importante.
    Mas a imprensa gaúcha trata o Fórum Social Mundial como uma reunião ou de um bando de jovens sem noção, que muitas vezes só querem fazer festa, ou de velhos hippies sonhadores. Não lembro de algum encarte especial sobre o evento onde fossem apresentadas as idéias debatidas no fórum. Mas sobre o Fórum da Liberdade tem. Depois ouço por aí que a imprensa é esquerdista…

  12. Veri permalink
    quinta-feira, abril 19, 2007 2:27

    Tenho que concordar com o Eduardo, o Ju pecou pelo excesso. As frases destacadas são bons exemplos.

    Acho muito engraçado certas atitudes, da direita e da esquerda (diga-se de passagem), de ver somente o que lhe interessa. Será que foi mesmo o MST que queimou o caminhão? Há versões de que os próprios funcionários da fazenda teriam ateado fogo em equipamentos. Por que não? Não seria uma maneira de confirmar que os colonos são mesmo “baderneiros”?

  13. edu delamare permalink
    quarta-feira, abril 18, 2007 23:15

    Estrategias para alvancar a economia; reformulacao do sistema tributario; discussao acerca dos resultados obtidos com os assentamentos da reforma agraria: nada disso importa.

    O que importa eh que colocaram o caminhao queimado la na frente.

  14. edu delamare permalink
    quarta-feira, abril 18, 2007 23:06

    Analisar o forum da liberdade baseando-se somente no (infeliz) simbolo do trator queimado e esquecer de todo resto que foi discutido eh, no minimo, “jogar pra galera”.

    Como se ninguem la tivesse falado nada com nada o tempo inteiro.

    Jardel, na ansia de exemplificar, acaba comentendo os mesmos engano de seu algoz (Mainardi) e peca pelos extremos.

  15. Daniel permalink
    quarta-feira, abril 18, 2007 22:03

    Aliás, trago aqui um texto publicado no Olé de hoje:

    “Si señores, no hay dudas más: vuelve Daniel. Una vez más ingresa el más grande a una cancha, su potrero, y con él se viene la magia adormecida, castrada, pero que se hace bancar por toda la gente en un rato de sudor y lagrimas.

    Vuelve Daniel. Hay equipo y fútbol, y se viene la noche en que se revolven de mirada uno a uno, tipo por tipo, en marcha y pasión. Vuelve Daniel, retorna el Diez que siempre se quiso adentro, se viene la zurda de siempre uma vez más, y con ella, aquella mística copera que ilusiona su gente.

    Despiertan la sonrisa, la gambeta, la chilena. Bate el bumbo y canta la banda: no se espera un rato más para que se vea la imágen desde siempre, la del pibe a salir por la cancha a pelear desde arriba, teniendo la pelota a todos lados, haciendo jueguitos por acá, por allá, metiendolas com ganas y gritando los goles de sueño, sus obras tan de adentro y que tanto su ausencia el fútbol lastimó.

    Así, Daniel, sinplemente, como siempre. Así a lo largo, que está y estará. Así que una vez más se dice, Daniel siempre está.

    En el miércoles a la noche, hay sueño despierto, hiriente. Hay el pibe a jugar una vez más. Desmarcá la película, olvidá de todo. Y no te pierdas. Daniel siempre está”.

    Que côsa, heinhô Batista…

  16. Daniel permalink
    quarta-feira, abril 18, 2007 21:43

    Símbolos têm um grande poder de requisitar a imaginação alheia. São usados com esse intuito. É melhor expor a chaga de Cristo do que contar sua história, diriam os religiosos. Não acho equivocada e nem fora do “contexto certo” a análise do Jardel.

    Se a ruína metálica exposta nesse “não sei o quê” não tivesse importância para quem a planejou, ela lá não estaria.

    Nós vivemos sob o domínio das simbologias, elas nos domam e nos operam a consciência sem que sequer saibamos. Elegemos a técnica paulista para governar o Estado, por exemplo. Trocamos um antigo ranço contra o PT por um case de marketing com suas tentativas de tarifaço pré-mandato, inéditas na história, e uma segurança pra-tiozinho-leitor-de-ZH ver. A “competência tucana”, que eu desejaria somente para o GFPA e para ninguém mais no mundo, sequer ao Juventude.

    Quem expõe um trator queimado em um salão de grã-finos quer dizer algo. Quer provar algo contra alguém ou contra uma idéia da qual não compartilha. Nada mais natural do que o contraponto, que cheirará melhor nas palavras do Jardel do que se for levado a cabo com a demonstração gustativa/sonora/visual das chagas que esse sistema gera e gerará.

    Mas se mesmo assim não adiantar nada, pelo menos, a grã-finagem ainda terá seus perfumes caríssimos para se autoborrifar.

  17. edu delamare permalink
    quarta-feira, abril 18, 2007 15:06

    “As discussões do ponto de vista liberal precisam existir, mesmo que desnecessárias”

    “muito mais importante e relevante Fórum Social Mundial”

    “mundo é mundo porque o liberalismo o moldou assim “

    Do meu teclado sem acento, proclamo: perolas.

  18. edu delamare permalink
    quarta-feira, abril 18, 2007 15:05

    Jardel, de novo, cometendo o pecado de dar impotancia aos extremos e esquecer do essencial.

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