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Limbo das coisas sem importância

quinta-feira, março 29, 2007

Juremir Machado da Silva, que sonha reencarnar Paulo Francis tanto quanto eu sonho jogar como Zinedine Zidane (ou seja, visceralmente), em coluna no Correio do Povo de ontem pediu a volta da ditadura ao Brasil. Certo, pareceu ser em tom irônico, referente sobretudo à cultura e ao jornalismo — as motivações ideológicas é melhor sequer perguntar. Juremir argumenta (argumenta?) que essas áreas do conhecimento humano tornaram-se reféns da cretinice que invadiu a nova era democrática. Para meu espanto total, o que nem bem constitui uma novidade em se tratando de Juremir, o “intelectual” autor da crônica declara resoluto que Mino Carta (jornalista italiano aqui radicado há décadas, criador de Veja, Istoé, Quatro Rodas, Jornal da Tarde, CartaCapital e outros) não passa de um “perfeito idiota ítalo-brasileiro”. Segue afirmando, ainda resoluto e impávido, que CartaCapital é “a Veja da esquerda”. Avacalha outras personalidades que teriam perdido a genialidade de outrora e que figuram hoje como vultos desnecessários ao país. Juremir enxerga em lentes especialíssimas, que fazem da ditadura e tudo o que ela representa um catalisador da qualidade criativa e intelectual. A tudo isso, não cabe um único comentário.

Aprendi uma coisa nova recentemente. Na verdade, desenvolvi. Trata-se de uma incrível capacidade de somatizar maldades, idiotices, burrices, ódio e, sobretudo, minha própria incapacidade de modificar as coisas. Como um super-poder, tenho agora a habilidade de sequer importar-me com coisas que não merecem desde respeito até preocupação ou lástima. O inter, por exemplo: libertei-me, será sempre o irmão menor que realizou uma proeza e canta vantagem da boca para fora, desafiador e sem-noção, apesar de, nesse caso, ser eterno o necessário e imutável importar-se (ou seja, secar e desejar o pior). Diogo Mainardi: pobre coitado e mau caráter, não reconheço qualquer contribuição que possa dar nem o valor de sua existência, já que nem mesmo ele reconhece.

Muitos pensam que brinco quando digo que certas coisas já não me desestabilizam. Creiam, revigora-se as forças em combater por aquilo que se acredita ao não atribuir importância àquilo que não a tem, realmente. Juremir Machado da Silva, resoluto “intelectual”, junta-se, assim, ao inter e Diogo Mainardi, entre uma centena mais de coisas sem importância. Caiu, por mérito próprio de muita ignorância e ódio, no limbo infindável que modestamente reservei em minha alma.

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11 Comentários leave one →
  1. edu delamare permalink
    segunda-feira, abril 16, 2007 18:56

    Veja bem, Carol. Devido ao carater homossexual da palavra, a variavel feminina tambem eh aceita pela lingua culta.

    hehehe
    Bjo

  2. Carol Disegna permalink
    sábado, abril 14, 2007 17:49

    Eduardo, só pra lembrar que a palavra “xiliquento” também existe.
    Beijos e bom futebol!

  3. Veri permalink
    sábado, março 31, 2007 16:04

    O Tarso, não!!!

    Eu tinha boa vontade em relação ao Juremir, até ler a coluna dele a que o Ju se refere.

  4. Juliano permalink
    sábado, março 31, 2007 14:02

    Emir Sader e Tarso Genro. Foram dois.

    E a questão não é ideológica, Eduardo. Tu que persegue isso em qualquer coisa que eu fale. Kenneth Galbraith, por exemplo, é liberalíssimo, “de direita”, e acho ele um cara muito inteligente e que gerencia exemplarmente a capacidade que tem, apresentando suas idéias de forma clara e responsável, sem menosprezar os outros ou falar asneiras pra agradar os que têm a mesma opinião. Claro que existe a identificação ideológica, mas o que desprezo em figurinhas como o Juremir é a pretensão e o ódio (ele sim não gosta que pensem diferente).

    Mas, voltando ao que interessa, o futebol sai em uma ou duas semanas, mas, pra vocês que me lêem, é preciso saber que é como casamento: Deus faz, o Homem não desmancha.

  5. edu delamare permalink
    sábado, março 31, 2007 1:07

    “desatualizado a tres semanas”
    “ter desprazer”
    “liguei pessoalmente”

    cruzes.
    hehehe

    meu voto: Segunda/ Quinta.

    hors concours foi maneiro, gostei. Considere-se seco.

    “Não só ele, vários outros são assim.”

    Me cita um de esquerda entao. Hmmm? Hmmm?

    bjosmeliguempoxa!!

  6. Juliano permalink
    sexta-feira, março 30, 2007 18:55

    Não, não é porque ele pensa diferente. Aliás, é engraçado como tu insiste em achar que eu não aprecio quem pense diferente. Acredito em pluralismo, visões e pensamentos diferentes – essa é a nossa maior riqueza. Isso desde que se respeite a inteligência das outras pessoas e, sobretudo, não se use de mau caratismo. O Juremir não se inclui no pluralismo: ele acredita que tem a “verdadeira visão”, algo como o óbvio ululante, que todos os outros mortais não enxergam. Não só ele, vários outros são assim. Ou seja, insignificantes.

    E não me considero mijado, porque eu e meu cunhado somos os organizadores do futebol – e tu estás convocado desde sempre. Na verdade, foi uma forma de te homenagear: hors concours, manja?

    Sério, tu já está na lista há eras. Assim que arrumar mais dois, vou montar um e-mail conjunto com todas as regras (sim, haverá regras) e explicações. Aliás, preciso que me diga qual dia da semana entre segunda, quinta e sexta fica melhor pra ti.

    Abraço.

  7. edu delamare permalink
    sexta-feira, março 30, 2007 18:41

    Eu sonho em reencarnar Paulo Francis.

    E falar com aquela voz ainda: “Agui em Novaioooooooooorrrke…”

    hehehe..massa

  8. edu delamare permalink
    sexta-feira, março 30, 2007 18:38

    Olha aqui oh!

    Voces ficam falando em “indiferenca calculada” e eu acabo de ter desprazer de ficar sabendo (via blog que encontrava-se desatualizado a tres semanas) que estao marcando futebol!!!

    Como assim????!!! Ninguem me falou nada!!

    Ja ouviram falar do Graham Bell? Puxa vida, desde que cheguei sempre liguei pessoalmente pra todo mundo sempre que queria marcar algo.

    Nao que eu va dar uma de xiliquenta e me importar com isso, mas considerem-se mijados.

    Chuveiro de mijo pra voces.

    P.S.: Ate hoje, Jardel, nao consegui identificar os porques de tu achares o Juremir assim tao insignificante. Pelos motivos que tu coloca, parece que eh soh porque ele pensa diferente.

  9. Juliano permalink
    sexta-feira, março 30, 2007 15:31

    Dani, perfeito o comentário sobre a “indiferença bem calculada”. Concordo plenamente, apesar de – importante esclarecer – não ser esse o comportamento que passei a pôr em prática. Ignorar, como toda a carga semântica que implica, e ainda por cima deliberadamente, é uma das maiores agressões que um ser humano pode fazer a outro.

    Abraços.

  10. Daniel permalink
    sexta-feira, março 30, 2007 13:53

    Eu te entendo. Também me sinto assim, às vezes. É difícil ver/ouvir um Mainardi falar com tanto asco de um povo como o nosso, achando que descobriu a roda ao apontar o nosso “atraso institucional”. Mas, enfim, conviver também é uma arte.

    Só acho que essa coisa tão praticada hoje em dia – a “indiferença bem calculada” como eu gosto de chamar – é uma droga. É rala, feia e, ao fim e ao cabo, extremamente agressiva. Tendo chegado aos últimos níveis possíveis de beligerância, agora estamos todos dando as costas uns aos outros e largando um “humpf” que equivale a todo o dicionário aurélio de palavrões. É a máxima agressão possível. Pelo menos é assim que vejo.

    No mais, o glorioso Inter sempre será infinitamente superior ao acidentalmente emergente GFPA: fato cientificamente provado.

    Huha! (risada do Al Pacino em “Perfume de Mulher”)

    Abraços.

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