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Padova

quinta-feira, fevereiro 22, 2007

Ao que tudo indica, uma mudança de planos. Ou melhor, de destino: Bergamo parece simpática e acolhedora em seu cosmopolitismo e modernidade, mas não supre as novas exigências de dispor dos cursos universitários corretos, sociologia e história medieval. Assim, a também agradável Padova — ou Pádua, conforme a nomenclatura portuguesa, celebrizada por ser a cidade onde morreu Santo Antônio — desponta como provável anfitriã de futuros cidadãos e víveres italianos que somos, a Veri e eu. Alteração do ar lombardo para o quintal da República de Veneza que foi a região do Vêneto e, conseqüentemente, Padova, com todas as suas significâncias, inclusive a herança bizantina. La Serenìssima deixou seu legado na arquitetura românica, um inapelável e nada estranho gosto por cursos d’água e leões alados como símbolo do poder nos complexos estandartes e nas antigas portas da cidade. Maravilhoso. A maior praça do mundo encontra-se encravada no centro da città, e isso é garantia de alguma relva verde para esticar-se no calor ameno do verão italiano. No mais, e condições climáticas são indicadores indispensáveis, o mesmo ambiente normalmente frio do norte da Itália. Maravilhoso.

Cabe dizer também que estaremos em família, ou quase. Grande parte, imensa maioria dos imigrantes que chegaram ao nosso Rio Grande do Sul vindos da Itália recém-unificada veio do Vêneto. O maior reflexo dessa origem é o orgulhoso Talian, língua falada aqui e lá, mais alguns pontos bastante específicos do globo (México e Romênia, por exemplo). Nesse caso, precisarei de intérprete, mas isso já está há muito resolvido. De qualquer forma, me agrada a idéia de morar na mesma cidade em que Galileu Galilei apontou o primeiro telescópio para o céu. Santo Antônio também viveu lá, mas isso já é causa de disputa: o santo é português, mas morreu em Padova — o que, pela tradição católica, determina como ele será conhecido. No caso, virou Santo Antônio de Pádua, de denominação discutível, mas de saudável fé franciscana (o que, por natureza, representa o que o Cristianismo tem de melhor) e obras bastante positivas.

Se nada de muito extraordinário acontecer, Padova será a escolhida, parece. Fato é que invariavelmente será uma cidade belíssima, de arte florescendo por todos os cantos e de história antiqüíssima e rica. Única ressalva vem de novo no campo do calcio. A Atalanta, de Bergamo, vestia imponente uniforme azul, preto e branco. Calcio Padova, apesar do novo e belo estádio, traja a pobre, comum e parcamente vitoriosa combinação vermelho e branco.

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One Comment leave one →
  1. Veri permalink
    sábado, fevereiro 24, 2007 15:18

    Parcamente vitoriosa combinação vermelho e branco. Até parece….

    Ma che bel!!! Em Padova vou me sentir falando com meus nonos.

    Beijo

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