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Subestimado

quarta-feira, janeiro 17, 2007

:: GENESIS
:: TRESPASS
:: Charisma Records/Virgin
:: Inglaterra, 1970
:: 42min 40seg

Em todo o vasto e rico universo progressivo existem injustiças. Subestima-se e, sobretudo, superestima-se. Mas falar de avaliações equivocadas nas trajetórias de bandas bem sucedidas parece um exagero. E mesmo que
Trespass, segundo álbum do Genesis, lançado em 1970, ocupe lugar de destaque em honrarias progressivas, parece-me um grande mal-entendido considerá-lo inferior, mesmo que sutilmente, a The Lamb Lies Down On Broadway, A Trick of The Tail ou ainda (em flagrante caso de completo desconhecimento e falta de critério) a Wind And Wuthering. Basta argumentar, sem qualquer pudor ou preconceito, que nos dois últimos citados o cargo de vocalista — vago de Peter Gabriel — foi ocupado pelo efêmero Phil Collins. A adjetivação é bastante comedida: Collins simplesmente implodiu a vertente progressista do Genesis, transformando-a em fenômeno pop disfarçado de cult. Mas esse texto não tem razão de ser falando o óbvio, ou seja, falando mal de Phil. Ele existe para reconhecer o devido valor de Trespass.

“Looking For Someone”, “White Mountain” e “Visions Of Angels” são significativas nas letras metafóricas e belas composições sinfônicas, como todo o restante do disco, em geral. São canções há muito imaginadas e lapidadas — diferentes das criações igualmente boas, mas de clara impressão momentânea dos últimos álbuns de Peter Gabriel. “Stagnation” é a cereja precoce do bolo, na minha avaliação, cortando o álbum em dois. Extremamente lírica, ainda que resoluta, cândida com as flautas finais. “Dusk” é a inspiração tranquila antes da expiração reservada que é “The Knife”, o belíssimo e enérgico encerramento do álbum e ainda hoje uma das mais referidas composições do Genesis.

É bastante recorrente a atribuição de que Trespass ainda não contava com a banda madura. Não faço a defesa da dignidade do álbum por ser ele meu favorito ou qualquer outro comprometimento — o primeiro, não o é, o segundo não há. Exceto pelo fato de que acredito que Trespass é o Genesis adulto, pronto, ainda carente dos detalhes e espírito barroco que tornam Nursery Crime, Foxtrot e Selling England By The Pound os melhores de toda a carreira dos ingleses, é bem verdade. Mas trata-se do mesmo Genesis nos quatro álbuns, sem as angústias, vontade de agradar ou as invencionices da formação que estava prestes a perder Gabriel. E, portanto, na iminência de pôr fim a uma das mais brilhantes bandas que o “progressivo mainstream” já viu (o uso do termo será motivo de outro texto, em breve).

Para quem concorda, discorda frontalmente ou tem curiosidade em saber sobre o quê tratou esse texto, o excelente site Prog Archives (link na seção ao lado) oferece um panorama bastante interessante sobre a diversidade de visões a respeito do disco e da banda. Trespass é satisfatoriamente analisado e bem cotado no equilíbrio das avaliações dos “prog-fãs”, apesar das interpretações múltiplas.

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