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O fim

sexta-feira, maio 14, 2010

Cantofabule acaba aqui. Na verdade, agonizava já há algum tempo e não sei dizer ao certo o que motiva essa falta de sustância num espaço que deveria refletir uma mente em funcionamento. Talvez seja a mente o problema. O fato é que após três anos — dos quais ao menos a metade foi repleta de atividade —, encerro esse blog. Cantofabule foi a realização mais palpável que tive na internet até agora (e isso é relevante para alguém que pensa que tem o que dizer ao mundo). Antes dele existiram quatro ou cinco espaços de pequenas anotações, tudo muito desorganizado e esporádico. Não insistir com Cantofabule é a minha forma de tentar sair de uma inércia que me consome há uns dois anos, ou mais.

Marcelo Firpo, que eu lia com gosto como se fôssemos amigos distantes mas que sequer conheço pessoalmente, encerrou (ou postergou um encerramento) do seu blog com uma imagem que achei apropriada e inspirada: o blog antigo, aquele que existiu tempo suficiente para se criar uma afeição, é como um apartamento vazio. Cantofabule foi esse meu apartamento, que visitarei de vez em quando e verei vuoto, sem nada. Apenas vozes que se falavam por aqui e que deram vida a um espaço de tempo.

Não sei se conseguirei manter um novo espaço ativo na medida do que gostaria de fazer. No fim, não sou um ser comunicativo — e não faço a mínima idéia do por que escrevo tudo isso. Acho que é porque sempre detestei com o mais profundo da alma qualquer despedida. Abanar para um blog que parte é como despedir-se de si mesmo.

De qualquer forma, volto ao Blogger, já que nunca tive um motivo real para deixá-lo. Lá as coisas parecem menos frias, mais artesanais e diretas (percebo que me rendi a um falatório sem sentido quando troquei o blogspot pelo wordpress… enfim). O novo blog chama-se O Apóstata, uma homenagem e ainda um reflexo dessa maldição que é aprender algumas coisas que acabam por exigir que se “corrija a rota”. O que espero fazer, aliás, em relação ao próprio espaço: usá-lo sem uma exigência opressora (que acaba sufocando a própria vontade de dizer algo), deixar estilo e pautas rolarem. Levar menos a sério para daí a coisa acontecer a sério. Veremos. Um obrigado a todos os que me leram aqui e fica o convite para conhecer O Apóstata.

Deus não existe

domingo, março 14, 2010

Ou, se existe, não tem nada o que ver conosco. Pensar e discutir religião sempre é um problema por dois motivos básicos: a probabilidade de gerar conflitos e ressentimentos é imensa e, fundamentalmente, não adianta nada — uma bela nulidade qualquer papo objetivo sobre religião. Leia mais…

O ogro

sábado, março 6, 2010

Wayne Rooney deve ter sido um desses guris metidos que prometem — e cumprem — bater em todo mundo, às vezes apenas por um olhar atravessado ou uma negativa audaciosa. A Inglaterra (mas não apenas) está cheia do tipo, que pululam nos subúrbios empobrecidos das cidades industriais, gente bronca, normalmente filhos de bêbados violentos que serão bêbados, e provavelmente violentos, também. Mas Rooney hoje não é mais aquele projeto de hooligan que chegou ao Everton de Liverpool, oito anos atrás. Dia desses li uma longa entrevista sua (para o Guardian, se não me engano) e me impressionei com o que tinha para dizer: eram palavras de alguém que pondera muito antes de falar e, sobretudo, aprendeu bastante coisa.

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Vestir a camiseta

sábado, fevereiro 27, 2010

Ressuscito Cantofabule, entre outros motivos, por causa deste texto. Reproduzido e bem comentado pelo Ponto de Vista, serviu para sacudir na minha memória um episódio que talvez tenha contribuído decisivamente para formar o ser humano que sou hoje. É minimanente representativo do assunto pelas condições em que ocorreu, uma experiência muito precoce que me ensinou o que eu precisava saber sobre empresas — e mercado de trabalho em geral — deste mundo selvagem e para muito poucos que é o capitalismo. Leia mais…

Leituras do ano

segunda-feira, dezembro 28, 2009

Não tive como cumprir minha própria meta de dois livros a cada mês. Em parte porque o verão se revelou mais determinado do que eu previa, mas sobretudo porque, ao longo do ano, em determinados momentos me faltou aquela paz de espírito utilíssima para se aproveitar ao máximo cada página. Tudo culpa de um 2009 atribuladíssimo — mesmo que eu não tivesse muito o que fazer (foi um ano inteiro de espera). Enfim, 19 livros (que poderiam e deveriam ter sido bem mais) que foram lidos com muita atenção e carinho. Leia mais…

Portoghese, italian e inglês

sexta-feira, outubro 30, 2009

Decidi colocar uma certa ordem metodológica em minhas leituras já que tenho todo o tempo do mundo — para as leituras e para inventar uma metodologia. Que, na verdade, não poderia ser mais objetiva e singela: leio concomitantemente obras nas três línguas que manejo de forma satisfatória — português, inglês e italiano, e, dentro desse universo geográfico, exclusivamente obras na sua língua original. Leia mais…

Que vença o menos pior

sexta-feira, outubro 30, 2009

Foi na capa da Gazzetta dello Sport de ontem que li um lamento estranho. Se falava do espetáculo que a Juventus proporcionou na noite de quarta-feira e na potencial capacidade que tem para surrupiar o scudetto das mãos da Inter. Se tratava portanto de apontar duas equipes favoritas (e tradicionais) entre 20, mas ainda assim o articulista defendia que o campeonato é “demasiadamente rico em surpresas” — talvez pensasse no Parma em quarto lugar, na Fiorentina capenga ou na Roma na parte de baixo. Imagino o que teria a dizer a respeito do nosso Campeonato Brasileiro 2009… Leia mais…